Savant: A Mais Importante Lição sobre Como Transformar a sua Vida

Em 2006, Derek Amato estava visitando sua família e alguns amigos na Dakota do Sul. Eles estavam organizando um churrasco, e Derek recebeu em sua casa alguns amigos que traziam uma bola de futebol americano.

Como é extremamente comum em nessas festas, Derek e seus amigos começaram a brincar com a bola, fazendo lançamentos um para o outro. Para aumentar a diversão, como havia uma piscina na casa, Derek teve a ideia de começar a pegar a bola no ar, e em seguida mergulhar na piscina.

Tudo corria como previsto, e todos estavam se divertindo. Isso, pelo menos, até Derek calcular erroneamente a profundidade da piscina em um de seus pulos, e bater a sua cabeça violentamente no fundo.

O que aconteceu a seguir é um tanto aterrorizante, mas também surpreendente!

 

O Acidente de Derek Amato

Imediatamente, Derek sentiu uma explosão na sua cabeça. Nas suas próprias palavras, “Eu me lembro do pânico de saber que eu tinha acabado de me machucar. Eu sabia que algo ruim tinha acontecido”.

Derek começou a ter convulsões e foi rapidamente levado para o hospital. Lá, os médicos não encontraram qualquer sinal de dano permanente no cérebro, e no dia seguinte Derek voltou para casa com o prognóstico de que deveria descansar. Ele dormiu por 5 dias consecutivos, e então acordou se sentindo muito bem.

Na ausência de qualquer sintoma, Derek continuou a fazer suas atividades e foi visitar outro amigo dias antes de partir para Denver, onde morava. Lá, ele encontrou um pequeno teclado, que por algum motivo que ele não sabia explicar, estava chamando muito a sua atenção.

Então, ele resolveu ir até o instrumento, e talvez tocar algumas notas, mas ao sentar na frente do teclado, seus dedos enlouqueceram. Em suas palavras, “foi como se o fantasma do Beethoven tivesse pulado no meu corpo”. Derek tocou belissimamente por 5 ou 6 horas ininterruptas.

O esquisito, contudo, é que Derek nunca havia tocado piano ou teclado antes na sua vida. Embora já tivesse um pequeno conhecimento musical da época em que tocava guitarra e bateria no ensino médio, Derek aparentemente havia aprendido a tocar piano sem precisar estudar o instrumento.

Em decorrência do acidente, Derek não só se sentia muito bem, mas tinha ganho uma habilidade fenomenal para compor e tocar piano. Em outras palavras, após o acidente, Derek havia adquirido a “Síndrome de Savant”.

 

Síndrome de Savant Adquirida

Como assim aprendeu a tocar piano sem estudar o instrumento?! Isso é impossível!

Bom, se esse pensamento passou pela sua cabeça, eu entendo. Eu também sou extremamente cético com essas histórias. Contudo, se procurarmos na literatura científica, o caso de Derek não tem nada de novo ou único. Diversas outras pessoas desenvolveram habilidades fantásticas após sofrerem algum acidente cerebral ou terem convulsões.

Para citar apenas alguns exemplos, Tommy McHugh desenvolveu uma incrível habilidade para poesia e pintura após sofrer um AVC. De maneira similar, Ben McMahon entrou em coma após um acidente de trânsito e acordou sabendo falar mandarim. Daniel Tammett se tornou obcecado por matemática após ter um ataque epilético quando tinha 3 anos de idade, e entrou no livro dos recordes por recitar o número pi com 22.514 casas decimais em 5 horas e 9 minutos.

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A Síndrome de Savant Adquirida, como é comumente chamada, ainda é um grande mistério para a ciência. Nós ainda não temos certeza sobre como ela funciona, ou porque ela acontece. Tudo o que sabemos é que ela existe, e que ela pode nos ensinar uma lição interessantíssima sobre a nossa capacidade de mudança.

 

Você já sabe como mudar?

No mundo do coaching e da Programação Neurolinguística (PNL), existe um pressuposto que dita que “as pessoas possuem todos os recursos necessários para todo tipo de mudança”.

Por esse motivo, em grande parte dos processos de coaching, o coach não te fornecerá a resposta para os seus problemas, ou exatamente o que você precisará fazer para alcançar seu objetivo. E ele não faz isso porque é incompetente, mas porque acredita que você, e apenas você, possui as respostas que está procurando. Em outras palavras, ele acredita que seu cérebro já sabe exatamente o que você precisa fazer, mas por algum motivo ele ainda não está fazendo.

Isso é facilmente ilustrado com o caso do Derek, ou dos outros Savants que citei logo acima. Mesmo sem termos certeza sobre como o Savantismo funciona, é perceptível que o cérebro de cada um deles já possuía todas as capacidades que lhes eram necessárias. Bastava apenas que elas fossem ativadas.

 

Mudanças no Dia a Dia

Agora, obviamente que eu sei que casos como o de Derek são extremos. A verdade é que casos em que alguém bate fortemente a cabeça e acorda com uma habilidade nova são extremamente raros.

Contudo, não são tão raros os casos em que nosso cérebro sabe exatamente o que precisa ser feito, e ainda assim não faz, não é mesmo?

Por exemplo, você provavelmente não precisa de mais informações sobre como comer de maneira mais saudável, precisa? Tenho certeza de que você conseguiria enumerar ao menos 3 alternativas que melhorariam a sua alimentação.

O mesmo é válido para diversas outras áreas. Você já sabe o que fazer para se aproximar um pouco mais dos seus filhos ou da sua esposa/marido, não sabe? Você também já sabe como começar a trabalhar de maneira um pouco mais produtiva, não sabe?

Muitas vezes, pode ser fácil supormos que a lacuna entre onde estamos agora e onde gostaríamos de no futuro é causada por falta de conhecimento. Esse é o motivo pelo qual compramos cursos de como começar um negócio ou como perder peso rapidamente, ou como aprender um novo idioma em três meses. Nós assumimos que se soubéssemos uma estratégia melhor, então nossos resultados seriam melhores.

Contudo, o que eu percebo cada vez mais, é que mais conhecimento não leva necessariamente a melhores resultados. Na realidade, aprender algo novo pode ser até mesmo uma perda de tempo se a sua meta for progredir e não apenas ganhar mais conhecimento. Dessa forma, se o que estamos procurando é mudança, o que precisamos perceber é que existe uma grande diferença entre conhecimento e habilidade.

 

Conhecimento vs. Habilidade

Uma característica interessante, que comumente é encontrada em Savants, é que embora eles conheçam a prática das habilidades que desenvolveram, eles não conhecem tão bem a teoria por detrás do que estão fazendo.

Isso acontece, ao menos em parte, porque existe uma grande diferença entre aprender algo novo e praticar algo novo. Embora essas duas atividades pareçam muito semelhantes, elas comumente produzem resultados profundamente diferentes. Aprendizado passivo leva a criação de conhecimento. Prática ativa leva a criação de uma habilidade.

Aqui estão algumas maneiras adicionais de pensar sobre essa diferença.

 

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1. Aprendizado pode ser uma forma de Procrastinação

Em muitos casos, aprender algo novo, ou adquirir conhecimento sobre algo novo, é apenas uma maneira de evitar as ações que são necessárias para alcançar seu objetivo.

Por exemplo, vamos dizer que você deseja praticar exercício físico. Ler um livro sobre o tema faz com que você se sinta como estivesse progredindo (“Nossa, eu estou descobrindo a melhor forma de me exercitar! ”). Contudo, você não está realmente praticando a atividade que lhe entregaria o resultado esperado (praticar exercício).

Em situações como essa, comumente nos convencemos de que estamos nos preparando e pesquisando um pouco mais, quando na realidade estamos procrastinando o início do nosso projeto.

Conforme eu descrevi no artigo “O Poder dos Fundamentos”, é mais fácil falarmos que estamos “trabalhando em uma nova estratégia” ou que estamos “fazendo mais pesquisas”. É difícil dizer, “Eu estou focando no básico, mas ainda assim não consegui progredir muito.”

 

2. Prática é um Aprendizado, mas o Aprendizado não é uma Prática

Aprendizado passivo não é uma forma de prática, já que embora você esteja acumulando mais conhecimento, você não está descobrindo como aplicá-lo. Em contrapartida, a prática é sempre um grande aprendizado porque você cometerá erros enquanto está praticando que resultarão em aprendizados extremamente úteis no futuro.

Não só isso, mas a prática é a única forma de você realmente contribuir significativamente no mundo. Aprender algo novo por si só pode ser valioso para você, mas caso queira que isso seja valioso para as outras pessoas, então você precisa expressar esse conhecimento de alguma forma.

 

3. Conhecimento não é poder. Conhecimento é poder potencial

Existe uma frase famosa do Tony Robbins que diz que “Conhecimento não é poder. Conhecimento é poder potencial. A execução supera o conhecimento em todos os dias da semana”.

Eu gosto muito dessa frase porque vejo muita verdade nela. Se você aprende algo, mas nunca utiliza, por que desperdiçou seu tempo aprendendo? O poder do conhecimento está todo na sua utilização e aplicação!

Agora, obviamente que eu entendo que é mais fácil falar do que fazer, não é mesmo? Muitas vezes, eu me pego esquecendo disso, e permaneço focando muito mais na teoria do que na prática. Existem tantas teorias de Produtividade Pessoal, que são necessários anos para aprender cada uma delas.

Ainda assim, eu faço o meu melhor para aplicador tudo aquilo que aprendo. Mesmo que algumas técnicas não se enquadrem na minha realidade atual, apenas o fato de eu escrever um texto explicando o método no blog já conta, para mim, como uma aplicação.

 

Considerações Finais

É inútil aprender algo passivamente? É claro que não! Em muitos casos, aprender apenas pelo ímpeto de aprender pode ser lindo. Isso sem falar que absorver novas informações pode ser útil em algum processo criativo posterior, ou para que você tome decisões mais acertadas no futuro.

Ainda assim, o principal ponto desse artigo é que apenas saber alguma coisa não é o suficiente. Você precisa aplicar o seu conhecimento e não se esconder na desculpa de que não está progredindo porque ainda está aprendendo.

Dessa forma, passe menos tempo aprendendo passivamente e mais tempo praticando ativamente o que aprendeu. Pare de pensar e comece a fazer!

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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