A Arte da Ressignificação: Qual o Propósito do seu Trabalho?

No dia 21 de dezembro, Colin Dale estava voltando do trabalho e entrou no metrô com a intenção de encontrar sua esposa, que trabalhava apenas algumas estações logo à frente. Dale tinha o costume de entrar sempre no primeiro vagão, e nesse dia não fez diferente.

Durante a viagem, Colin lembra-se vagamente de um grupo de adolescentes que, ao entrar no metrô, lhe pareceram muito agitados e até mesmo agressivos. Ele então lembra-se de pegar o celular e enviar rapidamente uma mensagem para sua esposa, pedindo ansiosamente que não entrasse no primeiro vagão.

A história do que aconteceu a partir daqui, e nos dias seguintes, é um tanto trágica. Contudo, é também possível que ela seja considerada uma história de extrema sorte. Isso tudo depende da maneira com que você olha para os acontecimentos, ou, em outras palavras, quais as ‘lentes’ que você utiliza para ver o que aconteceu.

Hoje vamos então conversar um pouco sobre significação e ressignificação, e o impacto que elas possuem em nossa motivação para trabalhar.

Então vamos lá?!

 

O Acidente de Colin Dale

Bom, Dale até mesmo gostaria de se lembrar dos acontecimentos daquele dia, mas infelizmente ele não se recorda de muita coisa. Depois de enviar a mensagem para sua esposa, as suas memórias do acidente desapareceram.

A história, contudo, é vividamente lembrada por outra passageira que se encontrava no mesmo vagão: Chistin Smith.

Smith nos conta que primeiramente o grupo de adolescentes cercou Colin, para então agredi-lo. Nas suas palavras: “Ele tinha uma mochila azul, que estava virada para frente, e que ele estava usando como um escudo. Assim que ele deu um passo à frente, ele foi atingido em uma rápida sucessão, talvez com duas pancadas, e então caiu no chão. Então, os adolescentes se afastaram e pararam a agressão”.

Por estarem no primeiro vagão, Smith foi capaz de avisar o condutor de que deveria chamar a polícia, e fez isso sem chamar a atenção do grupo de adolescentes.

Sua estratégia funcionou! A polícia foi avisada, e uma ambulância enviada para prestar atendimento médico. Quando eles chegaram até o vagão, Colin estava acordado, mas completamente desorientado. Ele tinha sangue por todo o seu rosto, alguns dentes estavam destruídos, e a sua mandíbula se projetava para um lado, como se tivesse um balão na sua bochecha.

Ao chegar no hospital, os médicos ainda perceberam que Dale estava com fortes dores nas juntas, e começaram imediatamente a investigar mais a fundo o que poderia estar acontecendo.

Até esse ponto, eu acho que a maioria das pessoas concluiria que o que aconteceu a Dale é terrível. Um ataque cruel, sem qualquer provocação, que o deixou extremamente ferido. É difícil ver o que aconteceu de uma outra forma. Contudo, é possível que os acontecimentos seguintes sejam capazes de mudar a sua opinião.

 

No Hospital

Quando Dale foi admitido no hospital, com severas dores nas juntas, os médicos rapidamente suspeitaram que alguma fratura nas vértebras do pescoço poderia ser a causa. Contudo, o que eles não sabiam é que essas dores já eram presentes antes mesmo do acidente acontecer.

Anos antes do acidente, Dale começou a apresentar algumas dores fortes nas juntas dos braços e das pernas, e passou a ter alguns problemas de equilíbrio. Algumas vezes, no caminho para o metrô, ele até mesmo tinha de parar um pouco para reduzir as dores.

Dale havia consultado diversos médicos, mas não havia encontrado a resposta das suas dores. Mesmo com diversos exames, nenhum médico havia sido capaz de acertar no diagnóstico exato que explicasse suas dores.

Após a internação, os médicos analisaram detalhadamente o seu pescoço, porém, não houve a detecção de nenhuma fratura ou machucado. O que os médicos encontraram foi um câncer, que estava a milímetros de atingir a medula espinhal, e comprometer completamente a respiração de Dale.

Um mês depois do diagnóstico, o tumor foi retirado e, para todas as medidas, a cirurgia foi um sucesso. O acidente, embora trágico, salvou a vida de Colin, e contraditoriamente permitiu que ele voltasse para casa são e salvo.

 

A Importância dos Significados

Agora, obviamente que eu não contei toda essa história a troco de nada. Todos nós podemos tirar uma lição extremamente interessante sobre o que aconteceu.

Em primeiro lugar, perceba aqui que o fato, ou acontecimento, é apenas um. Colin Dale foi atacado por um grupo de adolescentes, e em razão disso ele foi levado para um hospital. Lá, os médicos encontraram um tumor crescendo em seu pescoço, o qual foi retirado a tempo e com sucesso, o que permitiu a Dale voltar para casa.

Porém, perceba também que dependendo de qual momento da história estávamos focando, ela possui um significado completamente diferente. Por exemplo, se nosso foco está na parte em que Dale sofreu um acidente, então essa é uma história trágica e cruel. Contudo, se focarmos na parte em que Dale foi diagnosticado com câncer, e foi capaz de combater a doença, então temos uma história de sorte e superação.

Perceba, portanto, que de uma única história conseguimos tirar dois significados completamente opostos. Perceba também que esses diferentes significados mudam completamente a maneira com que você está se sentindo.

Basicamente, o seu foco determina os significados que você dá para os eventos ocorridos na vida, e os seus sentimentos são apenas retratos desses significados que você mesmo criou.

Isso é verdade não só para os sentimentos que você sentiu ao ler a história contada acima, mas para qualquer outro sentimento vinculado a sua família, trabalho, corpo, etc.

 

Qual o significado do seu trabalho?

Há alguns anos, o professor Dan Ariely, da Universidade de Duke, recebeu um dos seus antigos alunos para uma conversa. Ele conta que seu aluno estava trabalhando na Wall Street, com um ótimo salário, e muito feliz com o seu trabalho. Ainda assim, nos últimos dias, ele estava se sentindo um pouco desmotivado.

Por semanas, seu aluno estava trabalhando em um projeto para promover a fusão de duas empresas. O projeto ainda estava no início, e a sua função era montar uma apresentação que explicasse todos os benefícios provenientes da junção.

Ele trabalhou nessa apresentação, montando gráficos, comparando dados, e pensando no que ele poderia falar em cada slide. Então, um dia antes da fusão acontecer, ele enviou a apresentação final para seu chefe.  Rapidamente, seu chefe respondeu falando “Muito obrigado, seu trabalho estava excelente, contudo, a fusão foi cancelada”.

Imediatamente ele se sentiu desmotivado! Afinal de contas, ele trabalhou durante semanas, até mesmo a noite e nos fins de semana. Embora seu chefe tenha agradecido e parabenizado seu trabalho, ele ainda se sentiu completamente vazio e inútil. Em outras palavras, o fato de que o seu esforço foi em vão deixou ele completamente desmotivado para trabalhar.

Agora, isso faz sentido para você?

Bom, eu imagino sim. Quase todos nós já passamos por momentos parecidos com esse, onde não sentimos que nosso trabalho está rendendo frutos. Pessoalmente, como eu já trabalhei em laboratórios de pesquisa, e grande parte dos experimentos não funcionavam exatamente como eu gostaria, fazendo com que eu me sentisse desmotivado inúmeras vezes.

Contudo, a vida segue, e precisamos nos motivar novamente para trabalhar. O que nos leva a pergunta: como fazer isso?

 

A Arte da Ressignificação

Se pararmos para refletir, o caso contado pelo professor Ariely se encaixa perfeitamente no que falamos a respeito de significados e sentimentos.

Basicamente, quando o aluno descreve que seu trabalho foi inútil, ele está fornecendo um significado para o acontecimento. O significado de que seu trabalho foi em vão. A maneira com que ele está se sentindo, portanto, é apenas um retrato desse significado.

Dessa forma, com o significado “trabalho inútil”, temos o sentimento de “desmotivação”.

Portanto, se nosso objetivo for mudar esse sentimento, precisamos então alterar esse significado do evento. É justamente isso que chamamos de “A Arte da Ressignificação”.

E por que ela é considerado uma arte?

Porque ela pode ser feita de diversas formas, e não temos aqui certo e errado. Existe apenas aquilo que funciona e o que não funciona para você. Ainda assim, como em qualquer arte, existem algumas estratégias que são usadas com mais frequência, e que você pode começar testando. Uma delas é a substituição de perguntas.

 

Substituindo suas Perguntas

Uma das estratégias mais comuns, que é muito utilizada por psicólogos e coaches, é a substituição de perguntas. Basicamente, o processo aqui é muito simples. Em primeiro lugar, reconhecemos qual é a pergunta que atualmente estamos respondendo para obter nosso significado.

No exemplo acima, o significado era de que o trabalho foi inútil. A pergunta, portanto, que precede esse significado é “Qual é a utilidade do meu trabalho? ”

Contudo, se alterarmos essa pergunta, por exemplo, para “O que você aprendeu durante esse trabalho?”, temos um significado completamente diferente. Isso porque estamos mudando completamente o foco do problema. Ao invés de focarmos na utilidade, estamos focando apenas no aprendizado.

Conforme a famosa frase de Tony Robbins, “Não existe tal coisa como fracasso, apenas aprendizado”.

Isso é válido independentemente do resultado do seu projeto. Ele pode ter sido um sucesso, ou um “fracasso”. Basicamente, se você basear os seus significados no seu aprendizado, é praticamente impossível você se sentir mal, porque você sempre aprendeu algo novo no caminho.

 

Considerações Finais

Embora a maior parte das pessoas diga para Colin Dale que a sua história acabou com um final feliz, ele ainda possui sérias dificuldades para ressignificar todo o processo. Ele gostaria de ter sido diagnosticado de outra forma. Ele gostaria de não ter precisado do acidente para encontrar e superar sua doença. Ainda assim, esse não foi o caso.

O que isso nos ensina é que para as pessoas que veem o evento de fora, ressignificar pode parecer algo simples e até mesmo fácil. Contudo, para você, que está vivendo o problema, ressignificar pode ser algo mais complicado e desafiador.

Cada pessoa olha o mundo de uma perspectiva diferente, e cada um de nós decide permanecer com a ‘lente’ que nos parece mais confortável no momento. Quando algo acontece conosco, nós peneiramos e repeneiramos informações até chegarmos na nossa própria forma de ver o mundo.

Por isso, existe apenas uma realidade, mas diferentes formas de vê-la. Dessa forma, é importante também reconhecermos que a nossa forma de ver o mundo não representa o que ele realmente é!

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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2 Respostas para “A Arte da Ressignificação: Qual o Propósito do seu Trabalho?

  • ALISSON FERNANDO PINTO
    3 meses ago

    Parabéns Leonardo!
    Sua explicação foi muito clara e significativa.
    Sou Psicólogo e trabalho com ressignificação e valorização pessoal e profissional.

    Abraços.