O Poder do Engajamento Total: Os Segredos da Alta Performance

Na década de 80, o pesquisador Jim Loehr estava trabalhando seriamente com os melhores jogadores de tênis do mundo. Como psicólogo, sua meta era entender o que diferenciava os melhores jogadores de tênis daqueles que ainda se encontravam um nível abaixo disso.

Loehr passou horas e horas assistindo às partidas dos melhores jogadores, e também estudando as gravações de cada uma delas. Contudo, para sua frustração, ele não conseguia detectar qualquer diferença entre os hábitos competitivos desses jogadores. Todos possuíam uma capacidade técnica fenomenal, e uma visão do jogo muito similar. Todos eles lutavam ferozmente por cada ponto da partida.

Foi apenas quando ele começou a analisar o que os jogadores faziam entre cada ponto que as diferenças começaram a aparecer. Mesmo que não estivessem conscientes disso, os melhores jogadores haviam montado um ritual próprio de recuperação, que se repetia a cada ponto da partida.  Isso incluía a forma como eles caminhavam até atrás da linha de fundo da quadra, onde seus olhos estavam focados, e até mesmo quais tipos de pensamento estavam passando pela sua cabeça.

Nas partidas de alto nível, ambos os jogadores lutavam igualmente por cada ponto, mas eram aqueles que conseguiam se recuperar da melhor forma que geralmente venciam. Isso porque a cada vez que o jogador iniciava seu próprio ritual de recuperação, seu batimento cardíaco se acalmava, a respiração ficava mais suave, e a sua mente voltava a focar naquilo que era realmente necessário para vencer a partida.

 

Ciclos de Recuperação

Quem poderia prever que não é a capacidade técnica de um jogador que mais afeta a sua chance de ganhar uma partida de alto nível, mas o que ele faz no intervalo entre um ponto e outro?!

Pois é, se isso te surpreende, o que você pensaria então se eu te dissesse que o mesmo é válido para diversas outras profissões.

Nos anos subsequentes, Loehr expandiu seus estudos para abranger diversos outros profissionais, de diversas outras áreas. As suas conclusões foram que os melhores profissionais de cada área são aqueles que entendem, e principalmente respeitam, que o corpo humano funciona em ciclos.

Por exemplo, as frequências das suas ondas cerebrais aumentaram agora para que você consiga entender esse texto, e vão abaixar a noite, para que você consiga dormir. Da mesma forma, seus músculos contraem e relaxam, como um ciclo contínuo para atender ao que você precisa.

Respeitar essa necessidade fisiológica, onde existem períodos de intenso gasto energético, e outro de descanso, é fundamental para que qualquer pessoa atinja alta performance.

 

Energia é a nossa nova moeda

Quando olhamos para nossa vida, existe uma grande tendência em olharmos para o gerenciamento do tempo como uma das melhores maneiras para nos aproximarmos da alta performance. Nós torcemos – geralmente em vão – para que ao espremer mais e mais tarefas nas já finitas 24 horas do dia, consigamos fazer tudo o que é necessário.

Contudo, o gerenciamento de energia, e não do tempo, é o segredo para a alta performance.

A energia, diferentemente do tempo, não é limitada, e pode ser expandida, renovada e utilizada com muito mais eficiência, se aprendermos a fazer isso da maneira correta.

Portanto, o próximo passo é entendermos quais as 4 diferentes dimensões que afetam nossa energia.

 

As 4 Dimensões da Energia

Bom, se queremos entender como gerenciar melhor nossa energia, primeiramente precisamos entender que ela existe em 4 diferentes dimensões, que precisam ser dominadas individualmente.

 

1 – Energia Física

Quando pensamos em energia, a primeira ideia que nos vem à cabeça é a da energia física. Pensamos no quão cansados ou empenhados estamos em determinado momento. Contudo, essa é apenas a primeira dimensão da energia, referente a quantidade de energia que temos disponível.

Se desejamos maximizar essa energia, precisamos perceber que ela é dependente de 3 fatores principais: comida, exercício físico e sono.

Bom, eu já comentei a importância de dormimos bem no artigo “Como Dormir Melhor: O Guia Ultracompleto para Entender seu Padrão de Sono e Acordar Cheio de Energia!”, e não vejo necessidade de discutir esse assunto mais a fundo nesse post. Entretanto, no que se refere a alimentação e exercício físico, é importante esclarecermos alguns conceitos.

 

Alimentação e Exercício Físico

Já que a fonte mais fundamental de energia física que temos é a alimentação, nada melhor do que buscarmos maximizar nossa dieta em busca da alta performance. Para isso, alimentos como verduras e legumes, e alimentos ricos em gorduras saudáveis como nozes, amêndoas, abacate e óleo de coco, são as melhores fontes de energia. Esses alimentos promovem a liberação lenta de energia que nosso corpo necessita, funcionando assim de maneira mais sustentável.

Além disso, é fundamental prestarmos atenção à importância que beber água possui sobre o nosso corpo. Por exemplo, pesquisas sugerem que caso o seu músculo perca apenas 3% de água, ele perderá 10% de sua força e 8% de sua velocidade de contração.

Portanto, hidrate-se de maneira adequada! Não é à toa que diversos especialistas em alta performance recomendam que você inicie o seu dia tomando um copo de água, ou água com limão.

Além disso, outro fator crucial para nossa energia é o exercício físico. Esse não é apenas importante para nossa energia física, mas também para nossa energia mental, que veremos logo à frente. Várias pesquisas já verificaram que pessoas que malham frequentemente possuem uma melhora de até 70% em sua capacidade de tomar decisões complexas.

Mas isso não significa que você precisa ir à academia todos os dias.  Até mesmo pequenos exercícios, como subir as escadas ao invés de usar o elevador, ou estacionar um pouco mais longe do que já está acostumado, para caminhar um pouco mais, podem ser o que você precisa para otimizar sua capacidade energética.

 

2 – Energia Emocional

Como segunda dimensão, temos nossa energia emocional. Essa energia se refere a qualidade da nossa energia.

Por exemplo, uma pessoa severamente deprimida geralmente possui altos níveis de energia física, já que passa os dias em casa, geralmente deitada. Contudo, essa é uma energia totalmente sem qualidade, que não pode ser utilizada adequadamente por conta das emoções e sentimentos que estão passando pela sua cabeça.

Para dominar nossa energia emocional precisamos:

 

  • Parar de Negligenciar “sentimentos ruins”

Todos os seus sentimentos, inclusive aqueles que você não gosta, possuem uma função. Todos eles buscam te ensinar alguma coisa, servindo como alertas do seu organismo. Por exemplo:

Medo: Aviso de que você não se sente preparado para lidar com determinada situação;

Frustração: Aviso de que você está no caminho certo, mas ainda não encontrou a estratégia correta;

Culpa: Aviso de que você violou algum dos seus mais altos padrões, e deve fazer alguma coisa imediatamente para se assegurar de que isso não voltará a acontecer.

Por isso, quando negligenciamos um sentimento, estamos negando a ajuda que nosso próprio corpo está nos dando. Com isso, perdemos grande parte da nossa energia emocional.

Artigos Relacionados: Entendendo suas Emoções

 

  • Aproveitar Sentimentos Positivos

Grande parte de nossa energia emocional se origina das atividades que achamos prazerosas ou relaxantes. São emoções como alegria, o sentimento de desafio, de enfrentar uma aventura, ou procurar por oportunidades, que alimentam o nosso desempenho.

Portanto, é importante que priorizemos essas atividades mais prazerosas no lugar daquelas que supostamente são “mais produtivas”.

 

3 – Energia Mental

A energia mental é aquela que se refere à direção, ou foco, que você dá para a sua energia. Por exemplo, se você se encontra em um barco em alto mar, você poderá utilizar sua energia física e emocional de diferentes formas.

Você pode decidir por uma direção, e no meio do caminho mudar de ideia, e utilizar toda a sua energia voltando para o ponto de partida, ou você pode remar em círculos e também acabar no mesmo lugar, ou você pode focar toda sua energia em apenas uma direção para colher os melhores resultados.

Nossa energia mental funciona da mesma forma. Se não fornecemos apenas uma direção para o uso de nossa energia, são grandes as chances de não atingirmos nossos objetivos.

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4 – Energia Espiritual

Como última dimensão, precisamos falar um pouco de espiritualidade. Não no sentido religioso, mas na dimensão de propósito de vida, que nos motiva a trabalhar, e correr atrás dos nossos valores.

Afinal de contas, quem não concorda que temos mais motivação quando temos um propósito, ou nos importamos com aquilo que estamos fazendo?

 

Desenvolvendo Seu Propósito

Existem três recomendações que constituem um grande propósito.

Em primeiro lugar, um propósito precisa ser positivo. Um propósito apenas servirá como fonte de energia se você não estiver focando em algum sentimento de ameaça. Dessa forma, um propósito que te desafia é melhor que um propósito onde você está fugindo de alguma coisa.

Em segundo lugar, um propósito precisa ser intrinsecamente motivador. Nós precisamos querer algo porque isso é divertido ou nos traz satisfação. Na realidade, recompensas externas como dinheiro e fama podem até mesmo enfraquecer nossa motivação.

Por último, em terceiro lugar, um grande propósito precisa estar enraizado em algo que vai além do seu próprio interesse. De maneira geral, missões de vida que constroem um mundo melhor nos trazem grande satisfação e motivação para levantar da cama todos os dias.

 

Considerações Finais

Às vezes, é complicado fazermos esse balanço entre utilizar nossa energia, e tiramos um tempo para descansar.

Contudo, para esses casos, sugiro que reflita sobre um pensamento originado na Grécia antiga, de que “nenhuma virtude é uma virtude sozinha”. Por exemplo, honestidade sem compaixão é crueldade; tenacidade sem flexibilidade é rigidez; coragem sem cautela é imprudência. Aprender como balancear virtudes opostas é uma tarefa complicada, mas sem dúvida vale a pena!

Se você gostou das ideias defendidas nesse artigo, essas e muitas outras informações podem ser encontradas no livro “The Power of Full Engagement” de Jim Loehr e Tony Schwartz. Adquira já a sua cópia, clicando aqui.

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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