O Mito do Multitarefa: O Que Podemos Aprender com um Domador de Leões?

O Mito do Multitarefa

Em uma carta que escreveu para seu filho em 1740, Lord Chesterfield ofereceu o seguinte conselho: “Há tempo suficiente para tudo na duração de um dia, se você fizer apenas uma coisa de cada vez, mas não há tempo suficiente em um ano, se você fizer duas coisas ao mesmo tempo”.

Para Chesterfield, o foco singular em apenas uma tarefa por vez não era apenas forma prática de estruturar seu tempo, mas sim uma marca de inteligência. Ele defendia que “Essa atenção constante e não dissipada a um objeto é, com certeza, uma marca de genialidade; já que pressa, alvoroço e agitação são sintomas que nunca faltam em uma mente fraca e leviana”.

Atualmente, a pressa, o alvoroço e a agitação se tornaram o modo de vida regular para muitas pessoas – tanto que para isso, abraçamos uma palavra para descrever nossos esforços para responder às muitas demandas do nosso dia: multitarefa.

Alguma vez você já viu alguém se vangloriando por ser multitarefa? Por conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo, o mais rápido possível?

Nesse artigo, examinaremos exatamente porque isso é um problema, já que, na realidade, multitarefa é um mito. Faremos ainda um exercício prático, onde comprovaremos que ser multitarefa é pouco eficiente, e terminaremos com algumas formas práticas de deixar para traz o hábito de multitarefar.

Se preferir, você pode clicar nos links abaixo para ir direto a uma seção particular do artigo que te interessa, ou pode simplesmente continuar a leitura para ver o artigo completo.

 

I. Introdução

Conheça Clyde Beatty

Clyde Beatty nasceu em 10 de Junho de 1903, na cidade de Bainbridge, Ohio. Como o mais velho de um total de nove irmãos, durante sua adolescência, Beatty procurava ajudar sua mãe aceitando toda oferta de emprego que conseguia encontrar, incluindo algumas não muito agradáveis.

Entre essas ofertas, Clyde aceitou a proposta de trabalhar lavando jaulas de animais no circo “Howes Great London”, e nos anos seguintes cresceu dentro do circo até se tornar um dos maiores domadores de leões da história.

Beatty se tornou famoso pelas apresentações onde colocava grupos de até 40 animais, incluindo leões, tigres, pumas e hienas, juntos em uma única cela, e ao mesmo tempo domava todo o grupo.

Para conseguir domá-los, Beatty utilizava apenas 2 instrumentos: um chicote e uma cadeira. Talvez você não saiba, mas embora seja o chicote quem ganha a maior parte da atenção do público, é a cadeira que merece todo o crédito pela apresentação.

O Mito do Multitarefa - Clyde Beaty

Clyde Beatty domando um leão com uma cadeira (Fonte: Biblioteca de Harvard)

 

O Chicote e a Cadeira

Um leão pode facilmente dominar e matar uma pessoa. Contudo, ele só conseguirá fazer isso caso concentre toda a sua atenção na imagem da pessoa que se encontra a sua frente.

Beatty aprendeu isso logo cedo em sua carreira, e utilizava a cadeira como um método para distrair os leões.

O truque é o seguinte: quando um domador confronta o leão com as quatro pernas de uma cadeira, o normal é que o animal congele, e fique inseguro sobre o que deve fazer em seguida. Isso porque o cérebro de um leão não está programado para conseguir se concentrar em quatro pontos focais ao mesmo tempo.

Ou seja, quando o leão é confrontado com diversas opções, seu cérebro fica confuso, e o animal não sabe direito o que deve ser feito. Em razão disso, ele prefere manter a cautela e não atacar o domador.

Agora eu te pergunto: com que frequência você se encontra na mesma posição que o leão? Com que frequência você possui diversas tarefas para realizar no dia, e acaba se confundido com todas as opções à sua frente?

Quantas vezes já tentou fazer tudo ao mesmo tempo, e finalizou o dia estressado, esgotado e sem finalizar tudo o que pretendia?

Da mesma forma que no leão, o cérebro humano também não está programado para focar ou se concentrar em mais de uma tarefa por vez. Nenhum de nós consegue fazer isso, nem mesmo aqueles que se denominam excelentes em multitarefa.

Não acredita? Bom, eu explicarei a razão disso em detalhes logo abaixo. Mas antes, vamos aprender como a palavra multitarefa passou a fazer parte do nosso vocabulário, e porque ela é completamente incorreta.

 

II. O Mito do Multitarefa

O Mito do Multitarefa: A Origem

O conceito de humanos fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo tem sido estudado por psicólogos desde 1920, mas o termo “multitarefa” só entrou em cena depois de 1960, sendo utilizado para descrever computadores e não pessoas.

Naquela época, 10 mega-hertz eram, pelo visto, tão incompreensivelmente rápidos, que foi necessário criar uma nova palavra para descrever a habilidade de um computador realizar suas tarefas.

Em retrospectiva, a escolha do termo foi péssima, já que a expressão “multitarefa” é inerentemente enganosa.

Basicamente, multitarefa se refere a habilidade de fazer múltiplas tarefas alternadamente, compartilhando um único recurso (um processador). Contudo, o termo foi deturpado e interpretado como se significasse fazer diversas tarefas simultaneamente.

A alteração no significado induziu ao erro, visto que até mesmo um computador não consegue processar mais de um fragmento de código por vez (a não que ele tenha dois ou mais processadores). Basicamente, ele apenas permanece alternando entre duas ou mais tarefas, até que ambas estejam finalizadas.

A velocidade com que ele faz isso nos dá a ilusão de que está fazendo tudo ao mesmo tempo, quando na realidade não está. Justamente por isso, comparar humanos a computadores pode ser um pouco confuso.

 

O Mito do Multitarefa: O que a Ciência tem a Nos Dizer?

Visto que agora você já sabe que o termo multitarefa não foi concebido para descrever habilidades humanas, podemos então começar a discutir o que nosso cérebro consegue e não consegue fazer.

Em 2009, o pesquisador Clifford Nass, da Universidade de Stanford, estava interessando justamente nisso. Ele queria descobrir o quão bem os chamados “multitarefeiros” conseguiam realizar suas tarefas.

Dessa forma, ele e sua equipe montaram um experimento, onde separam 262 estudantes em dois grupos. Um grupo continha os estudantes que se diziam ótimos em realizar diversas tarefas simultaneamente, e outro grupo continha os estudantes que se diziam péssimos nisso.

A crença, na época, era que multitarefa consistia em uma ótima estratégia de Produtividade, e aqueles que fizessem isso se sairiam muito melhor nos testes. Claramente, eles estavam enganados!

“Eu estava certo de que eles possuíam uma habilidade secreta” relatou Nass. “Contudo, no final das contas, grandes multitarefeiros são sugadores de irrelevância”. Eles foram superados em todas as métricas, sendo péssimos em praticamente tudo.

Nos anos seguintes, diversos outros estudos apareceram corroborando e até mesmo explicando os achados de Nass. Por exemplo, em um estudo feito pelo psicólogo René Marois, da Universidade de Vanderbilt, foram encontradas evidências de que quando confrontado com vários estímulos ao mesmo tempo, o cérebro leva um tempo para determinar qual tarefa deve executar.

Esse tempo, mesmo que curto (cerca de 1 segundo), vai se somando ao longo do dia, sendo uma grande perda de tempo.

Outro estudo, feito agora pelos pesquisadores Kep Kee Loh e Ryota Kanai, da University College London, revela que há indícios de que multitarefar afeta negativamente a estrutura do cérebro, particularmente em uma região chamada de córtex cingulado anterior, a qual é comumente relacionada ao controle de funções cognitivas e emocionais.

 

O Que Podemos e Não Podemos Fazer?

A verdade seja dita, nosso cérebro consegue comandar diversas atividades ao mesmo tempo. Por exemplo, nesse exato momento seu cérebro está comandando seu batimento cardíaco e sua frequência respiratória, enquanto fornece a você as ferramentas necessárias para compreender esse artigo.

Da mesma forma, nós conseguimos andar enquanto falamos, mascar chicletes enquanto estudamos, ou ouvir música enquanto estamos dirigindo.

Contudo, quando você faz isso, você está realmente prestando atenção nas duas tarefas? Se você está andando e falando, seu foco está igualmente dividido em ambas as atividades?

A resposta é não! Embora seu cérebro consiga comandar duas tarefas simultaneamente, o que ele não consegue fazer é focar em mais de uma tarefa de cada vez. Isso é, enquanto uma tarefa está sendo feita de forma intencional, a outra necessariamente está sendo feita de forma totalmente automática, sem requerer atenção.

Por isso, da mesma forma que computadores, o máximo que conseguimos fazer é alternar rapidamente nossa atenção entre as duas tarefas, ao invés de se concentrar em ambas.

 

Custo de Alternância

Em economia, existe um princípio chamado de custo de alternância. Ele é geralmente utilizado para se referir ao custo proveniente da troca de um fornecedor para outro.

Isso é, quando uma empresa precisa trocar o fornecedor de um produto, ela obrigatoriamente precisa estudar e aprender mais a respeito das suas opções.

Talvez alguns funcionários precisem aprender uma nova língua, caso o fornecedor seja de outro pais, ou talvez sejam necessárias várias alterações nos contratos e sistemas da empresa, utilizando assim mais tempo para finalizar cada processo.

O fato é que independentemente de qual será o novo fornecedor, sempre existe um custo, na forma de tempo e dinheiro, que a empresa precisa despender para realizar a troca.

As mesmas regras podem ser aplicadas quando estamos alternando entre diferentes tarefas. Todas as vezes em que você troca de uma atividade para a outra, existe um custo.

Esse custo pode ser visto no aumento do tempo e energia gastos para finalizar suas tarefas. Por exemplo, quando você está escrevendo um e-mail, e alguém te interrompe com uma pergunta, você necessariamente vai precisar de tempo e energia extra para retomar sua linha de raciocínio assim que terminar de responder.

Para demonstrar essa ideia, pegue por exemplo este estudo de 2003, publicado no International Journal of Information Management. De acordo com a pesquisa, uma pessoa normalmente checa seus e-mails a cada 5 minutos, e demora, em média, 64 segundos para retomar sua outra tarefa após checar a caixa de entrada.

Isso é o mesmo que dizer que uma pessoa perde 1 minuto a cada vez que resolve alternar entre tarefas.

 

Exercício Prático

Para consolidar essa ideia, vamos fazer um exercício prático, onde você vai perceber com maior clareza a presença do custo de alternância.

Primeiramente, pegue um pedaço de papel, e faça 5 linhas, fazendo com que ele se pareça com isso:

O Mito do Multitarefa - Linhas

Em seguida, abra o cronometro no seu celular, ou clique aqui. O cronometro será utilizado para medir o tempo que você demora para realizar cada um dos exercícios abaixo.

Como primeiro exercício, você examinará sua capacidade de fazer uma tarefa de cada vez. Você começará escrevendo a seguinte frase logo acima da segunda linha: “EU NÃO SOU MULTITAREFA”. Após finalizar a escrita da frase, escreva logo abaixo os números 1 a 19, sendo que cada número corresponde a uma letra da sua frase.

Lembre-se de disparar o cronometro antes de iniciar o exercício.

O Mito do Multitarefa - Eu não sou multitarefa 1

Anote o seu tempo, e zere o cronometro.

Como segundo exercício, examinaremos sua capacidade de ser multitarefa. Isso é, repetiremos o exercício acima, mas com uma pequena mudança.

Agora, para cada letra da frase “EU NÃO SOU MULTITAREFA”, você deve escrever imediatamente um número na linha de baixo. Por exemplo, você vai começar escrevendo “E”, e imediatamente “1” na linha abaixo. Em seguida, você escreve “U” na linha de cima, então “2” na linha de baixo, e assim por diante.

O Mito do Multitarefa - Eu não sou multitarefa 2

O resultado final será o mesmo no papel, mas é importante que você meça quanto tempo demora para realizar esse segundo exercício, e compare isso com o primeiro.

 

Conclusões do Exercício Prático

Quando realizei ambos os exercícios, meus tempos foram 31 segundos para o primeiro, e 46 segundos para o segundo exercício. Isso representa um aumento de aproximadamente 50% no tempo de conclusão da tarefa quando eu estou multitarefando!

Isso pode não parecer muito quando estamos falando de segundos, mas fariam muita diferença caso a tarefa fosse mais demorada. Caso eu estivesse fazendo uma tarefa de meia hora, então eu teria demorado cerca de 45 minutos. Em uma tarefa de uma hora, eu teria demorado aproximadamente 1 hora e meia!

De acordo com o pesquisador David Meyer, “O custo em termos de tempo extra gasto com a alternância de tarefas depende do quão complexas ou simples elas são. Ele pode variar de 25% para tarefas mais simples, até mais de 100% para tarefas mais complexas”.

Isso parece relevante para você? Quais foram os seus tempos? Também demorou mais quando estava multitarefando?

Eu posso apostar que sim! Não só isso, mas você também deve ter experimentado outros dois efeitos de tentar multitarefar: 1) a qualidade do seu trabalho foi menor no segundo exercício; e 2) você provavelmente se estressou mais durante o segundo exercício.

Isso é, ao analisar ambos os exercícios agora, talvez você consiga perceber que a qualidade da sua escrita está pior no segundo exercício. Não só isso, mas talvez você tenha escrito um número ou uma letra errada no decorrer dele.

Em retrospecto, você também pode perceber que seus níveis de estresse aumentaram enquanto estava executando o segundo exercício.

Para David Meyer, “Sempre que as demandas excedem as suas habilidades, o estresse aparece logo em seguida”. Ao multitarefar, ocorre a liberação de hormônios do estresse, tais como cortisol e adrenalina, que podem te ajudar no curto prazo, mas impactam negativamente sua performance no longo prazo.

 

Por que não paramos de multitarefar?

Com resultados de pesquisas esmagadoramente claros, parece insano que mesmo sabendo que fazer tudo de uma só vez leva a muito mais erros, decisões equivocadas e estresse, tentemos agir dessa forma mesmo assim.

Talvez, multitarefar seja tentador demais. Trabalhadores que utilizam computadores durante o dia tendem a trocar de janelas ou checam e-mails cerca de 37 vezes por hora! Isso significa uma troca a cada um minuto e meio!

Dessa forma, você há de se perguntar: Por que então não paramos de multitarefar? Por que esse hábito continua a ser tão forte na vida de tantas de pessoas?

A resposta é relativamente simples. Nosso cérebro está programado para antecipar um prazer quando trocamos um estímulo por outro. Ou seja, quando trocamos de uma aba para outra no nosso navegador, ou quando checamos nosso e-mail ou mídias sociais, sentimos a antecipação de um prazer pela liberação de dopamina no cérebro.

Cientificamente, isso é chamado de viés da novidade (novelty bias), sendo esse o mesmo princípio que aplicamos a bebês, e filhotes de cachorro e gato quando queremos sua atenção.

A liberação de dopamina é viciante, e condiciona nosso cérebro a continuar a procurar por novos estímulos, mesmo quando isso não é interessante no longo prazo.

 

Levados à Distração

Em 2009, o repórter Matt Richtel, do New York Time, ganhou o Prêmio Pulitzer de Reportagem Nacional, através da sua série de artigos intitulados “Driven to Distraction” [Levados à distração].

Nos artigos, ele relata os perigos de dirigir mexendo no celular, ou enviando mensagens. Ele constatou que dirigir distraidamente era responsável por 16% de todas as fatalidades no trânsito, e por mais de um milhão de acidentes anualmente.

Ao dirigir, até mesmo uma simples conversa no telefone rouba 40% de todo o seu foco e, surpreendentemente, pode ter o mesmo efeito que dirigir alcoolizado. Os dados foram tão alarmantes na época, que diversos estados e municípios nos Estados Unidos tornaram um crime utilizar o celular ao dirigir.

Isso faz sentido, não é mesmo? Nós intuitivamente sabemos que multitarefar pode ser fatal quando há vidas em jogo. Você viajaria em um avião onde o piloto não está 100% atento as suas tarefas? Você aceitaria fazer uma operação com um cirurgião que constantemente se distrai?

Nós esperamos que todos os profissionais dessas áreas que sejam pegos fazendo isso sejam punidos. Não existe qualquer argumento que justifique falta de concentração por esses profissionais.

Ainda assim, aqui estamos nós – fazendo o oposto. Você não valoriza o seu trabalho, ou não o encara com seriedade? Por que toleramos fazer várias coisas ao mesmo tempo quando executamos nosso trabalho mais importante?

Mesmo que nosso trabalho não envolva fazer cirurgias, isso não significa que nosso foco é menos crítico para o nosso sucesso, ou para o sucesso de outros. Se pensarmos nisso, talvez descubramos que se não encontrarmos um jeito de resolver o problema, podemos acabar perdendo nosso emprego ou nosso negócio. Ou pior, fazer com que outras pessoas percam também.

 

III. Como Parar de Ser Multitarefa?

É praticamente um consenso entre experts da Alta Performance que para atingir excelentes resultados você precisará focar, eliminar distrações, e se comprometer com apenas uma coisa por vez. Isso porque ser multitarefa não lhe traz resultados mais rápidos ou melhores.

Realizar apenas uma tarefa por vez faz com que ela seja feita de maneira focada, lhe trazendo os melhores resultados.

Mas como? O que podemos fazer para deixar de ser multitarefa, e nos concentrarmos em nosso trabalho mais importante?

 

Estratégia 1 – Orçamento de Horas Semanais

Primeiramente, faça o download e imprima a planilha do orçamento de horas semanais, clicando aqui.

Como você pode perceber, existem aqui quatro colunas: “Atividade”, “O Que Isso Significa?”, “Atual” e “Futuro”. Para facilitar o exercício, eu já inseri também alguns itens nas colunas “Atividade” e “O que isso significa?”, os quais fazem parte da vida de todas as pessoas.

O exercício aqui será o seguinte: na coluna “atividade”, insira outros itens que também fazem parte da sua vida como um todo. Por exemplo, “Tempo com a Família”, ou “Hobby”, ou “Exercício”, ou “Tarefas Domésticas”, ou ainda “Serviço Comunitário”.

Use categorias que são bem amplas, para facilitar a realização do exercício.

Em seguida, na coluna “O Que Isso Significa?”, escreva quais atividades fazem parte de cada atividade. O propósito de fazer isso é que uma tarefa não seja contada em duas categorias diferentes.

Então, por exemplo, digamos que você criou as categorias “Tempo com a Família” e “Tempo com a Esposa”. Então, você pode deixar claro que tempo gasto com seus pais, ou com seus filhos é “Tempo com a Família”, mas “Tempo com a Esposa” diz respeito apenas ao tempo que você gasta sozinho com a sua parceira.

Na coluna “Atual”, estime o número de horas que você passa fazendo cada atividade semanalmente. Isso é, quando horas você passa semanalmente dormindo? Quantas horas passa semanalmente com a família? Quantas horas fazendo as outras atividades?

Você vai perceber que eu já completei para você o item “Tempo Perdido”. Isso porque todos nós perdemos aproximadamente uma hora por dia, ou 7 horas na semana, com atividades que não podemos evitar, como coçar o olho, levantar da cadeira, etc.

Atenção! Peço que não siga para a próxima parte, até ter finalizado essa estimativa!

 

Orçamento de Horas Futuras

Realizou a estimativa? Você se atentou para as diferenças de tempo que ocorrem nos fins de semana? Por exemplo, muitas pessoas dormem mais nos fins de semana, e vale a pena colocar a estimativa semanal correta na sua planilha. Dessa forma, caso ainda não tenha feito isso, faça agora.

Em seguida, some todas as horas na sua coluna “Atual”. Quantas horas deram? A maior parte das pessoas chega a um total entre 164 e 176 horas. Ainda assim, todos nós temos 168 horas semanais! Como explicar a diferença na sua estimativa?

Basicamente, quando mais multitarefa você é, pior tende a ser sua estimativa de tempo. Dessa forma, é bem provável que sua soma seja superior a 168, já que o esforço a mais que você faz para completar cada tarefa no trabalho te leva a pensar que você passa muito mais tempo trabalhando.

Agora que você sabe disso, tente balancear sua planilha, de forma que ela reflita as suas 168 horas semanais. Normalmente, as pessoas erram nas categorias com o maior número de horas, tais como trabalho, tempo com a família, e dormindo. Feito isso, sublinhe as colunas que você deseja alterar. Você pode então seguir em frente, e completar a última coluna: “Futuro”.

Nessa última coluna, insira o número ideal de horas que você gostaria de passar em cada categoria. Mais horas com a família? Menos horas trabalhando? Mais horas dormindo? Menos horas procrastinando?

Realize o cálculo de forma que você novamente chegue a 168 semanais. Obviamente, existe apenas um de você, e não faz sentido colocar nas suas estimativas futuras algo superior ou inferior à sua real linha de tempo.

 

Estratégia 2 – Defina Quando Você Poderá ser Interrompido

A segunda estratégia é baseada na premissa de que ao longo do dia, você será interrompido várias vezes, e isso acontece porque as outras pessoas não possuem uma estimativa clara de quando elas terão a chance de falar de você.

Ou seja, justamente por não possuírem clareza a respeito de quando você pode ser interrompido, elas acabam te interrompendo em horas impróprias, atrapalhando assim a realização do seu trabalho.

Dessa forma, ao definir quando outras pessoas podem te interromper, elas esperarão para te pedir alguma coisa, ou para te fazer perguntas, te interrompendo apenas quando algo realmente urgente acontecer.

Existem basicamente duas formas básicas de fazermos isso: 1) Através de Reuniões Recorrentes; 2) Fornecendo uma expectativa clara de disponibilidade.

 

Reuniões Recorrentes

A primeira estratégia diz respeito a estabelecermos reuniões recorrentes com as pessoas que mais dependem do nosso trabalho.

Isso é, para as pessoas que possuem você como responsável gerencial, ou para as pessoas que frequentemente fazem perguntas para você, defina reuniões frequentes, de forma que elas saibam quando terão a chance de falar com você.

Por exemplo, digamos que você possui uma secretária que te interrompe pelo menos 10 vezes ao dia, com perguntas ou outras situações recorrentes. Agende com ela uma reunião de 30 minutos todos os dias logo cedo, de forma que ela possa fazer todas as perguntas durante esse tempo, e ficar por horas sem te interromper.

Obviamente, aparecerão mais dúvidas ao longo do dia, contudo, como essa pessoa sabe que terá uma reunião com você no dia seguinte, ela poderá facilmente postergar suas dúvidas até o próximo dia.

Da mesma forma, se você possui subordinados que te interrompem uma vez todos os dias, agende com eles uma reunião recorrente a cada 3 dias, ou uma vez por semana. Dessa forma, eles também poderão esperar, pois já sabem exatamente quando podem falar com você.

Obviamente, você não precisará agendar uma reunião com cada pessoa na sua empresa. Isso não faria sentido, não é mesmo? Apenas as pessoas que mais lhe interrompem merecem reunião recorrentes. As demais devem confiar nos seus horários de disponibilidade.

 

Expectativa de Disponibilidade

Como segunda forma de definir quando você poderá ser interrompido, é necessário que você defina claramente em quais horários poderá responder ou se comunicar com outras pessoas.

Alguma vez você já viu aqueles relógios de “volto às”, comumente utilizados em horários de almoço de diferentes lojas? Se não, segue exemplificado logo abaixo.

O Mito do Multitarefa - Relógio

Você pode comprar um exatamente como esse, e apenas trocas as palavras “volto ás” por “disponível às”. Coloque o relógio na porta do seu escritório, e a mantenha fechada. Dessa forma, todas as pessoas que precisarem te interromper, saberão exatamente qual o melhor horário para fazerem isso.

O mesmo é válido para chamadas telefônicas e e-mail. Por exemplo, você pode configurar uma resposta automática a partir do seu provedor de e-mail que diga:

Olá, tudo certo? Essa é uma resposta automática de e-mail.

Eu abro meus e-mails com frequência, geralmente às 10h, às 14h e às 16h. Seu e-mail será respondido assim que possível. Obrigado!

Atenciosamente,

Leonardo P Polak

Da mesma forma, você pode configurar um correio de voz no seu telefone, de forma que as pessoas também saibam quando você estará disponível.

Olá, aqui é o Leonardo. No momento eu não posso atender. Ainda assim, eu vejo minhas mensagens com frequência, geralmente às 10h, 14h e 16h.

Se você deixar uma mensagem, eu retornarei sua ligação até o final do dia. Obrigado!

 

Estratégia 3 – Desligue-se do seu Celular

Quando você não checa seu celular por um tempo, você se encontra lutando contra um incrível impulso de largar seja lá o que você está fazendo para dar apenas uma olhadinha?

E se você cede a essa tentação, você se sente de alguma forma insatisfeito se não existem novas mensagens esperando por você?

Como já discutido, todas as vezes em que um estímulo novo é percebido pelo cérebro, existe uma pequena liberação de dopamina, a qual é viciante. Isso faz com que você queira checar seu celular de tempos em tempos, assim como todas as vezes em que ouvir o apito de que uma nova mensagem chegou.

Contudo, se você realmente deseja se concentrar, e finalizar a tarefa que está a sua frente, é importante que você se desligue dessa necessidade de checar seu celular rotineiramente. Mesmo que nos primeiros dias seja difícil ficar longe do celular por algumas horas, pode ter certeza de que valerá a pena!

 

Estratégia 4 – Reflita sobre seu próprio Comportamento

Enquanto que por algumas vezes somos multitarefa em razão de outras pessoas nos interrompem, existem também os casos em que nós mesmos nos interrompemos, e começamos a fazer duas ou mais tarefas simultaneamente por pura força do hábito.

Para combater isso, você precisa tirar um tempo no seu dia para refletir sobre seus comportamentos. Um momento para refletir sobre como está utilizando seu tempo, e sobre como poderia fazer o melhor uso dele.

Refletir é um hábito de todo bom profissional, independentemente da área em que trabalha. Por isso, a melhor forma de criar esse hábito é estabelecer já no seu calendário períodos do dia que são destinados apenas a reflexão, de forma que essa seja sua única tarefa naquele período.

Artigo Relacionado: Muito Ocupado para Refletir: As 5 Melhores Maneiras de Encontrar Mais Espaço no seu Dia a Dia

 

IV. Considerações Finais

O seu escritório é um antro de multitarefa ou você tem tempo para se concentrar no que realmente importa, sem interrupção na próxima hora?

Você está constantemente checando sua caixa de entrada ou seu celular, procurando por novas mensagens, ou está conseguindo fazer o seu melhor trabalho?

Você acha que consegue trabalhar em apenas uma tarefa de cada vez, ou ainda se acha mais produtivo fazer diversas tarefas simultaneamente?

Diga-nos o que você pensa sobre ser multitarefa nos comentários logo abaixo. Terei o maior prazer em saber o que você tem a me dizer!

 

Referências:

Livros:

Vídeos:

Artigos Científicos:

Artigos:

 

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

Quer receber e-mails sobre como ter mais foco?

Então se inscreva na lista

redirect=/confirmacao-audio-ebook/

Quer receber e-mails sobre mudança de minset?

Então se inscreva na lista

redirect=/confirmacao-audio-ebook/

Seu comentário me motiva a continuar escrevendo...