Meditação: O Guia Científico Para Reduzir o Estresse, Aquietar a Mente, e Ainda Ficar 10% Mais Feliz

Meditação e Produtividade

A voz que existe dentro da minha cabeça é realmente uma droga, e, pelo menos as vezes, eu posso apostar que sua também é.

Para ser claro, eu não estou falando aqui sobre “ouvir vozes”, no sentido esquizofrênico, mas estou falando sobre o “narrador interno” que faz parte do nosso dia a dia.

Sabe, aquela voz que aparece assim que abrimos nossos olhos, e que tagarela o dia todo com pensamentos negativos, repetitivos e críticos que julgam, cobiçam, rejeitam e nos comparam a outras pessoas. Pensamentos que nos projetam para o futuro ou para situações do passado, ao invés de estar aqui, presente, percebendo o que está acontecendo neste exato momento.

Pois é, a maior parte das pessoas passa a vida sem notar a existência dessa voz. Em razão disso, acabam muitas vezes perdendo o temperamento mesmo quando sabem que isso não deveria acontecer, abrem a geladeira mesmo quando não estão com fome, e pegam o celular para olhar suas redes sociais, mesmo quando existem outras tarefas mais importantes a serem feitas.

Obviamente, essa voz nem sempre é ruim. Algumas vezes, nosso bate-papo interno se mostra criativo, generoso e divertido. Contudo, se não prestarmos atenção – o que pouquíssimas pessoas aprendem a fazer ao longo da vida – nossa voz interna pode se mostrar traiçoeira.

Justamente por isso, neste artigo estaremos conversando sobre como domar essa voz interna, e começar a utilizá-la ao nosso favor. Falaremos de técnicas milenares de meditação, e sobre os benefícios cientificamente comprovados dessas metodologias.

Portanto, continue aqui comigo neste artigo que eu vou te explicar tudo que você precisa saber sobre o tema. Se preferir, você pode clicar nos links abaixo para ir direto a uma seção do artigo que te interessa, ou pode simplesmente continuar a leitura para ver o artigo completo.

 

I. Introdução

 

II. Mindfulness

 

III. Meditação

 

IV. Como Meditar?

 

V. Considerações Finais

 

Ataque de Pânico em Rede Nacional

Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas estavam assistindo o noticiário Good Morning America quando o repórter Dan Harris teve um ataque de pânico ao vivo em rede nacional.

O dia era 7 de junho de 2004, e Harris estava substituindo seu amigo Robin Roberts na leitura de 6 notícias rápidas e de última hora.  Charlie Gibson, âncora do noticiário, passou a palavra para Harris que começou a apresentação muito bem.

Contudo, bem no meio da segunda notícia, o ataque veio. Do nada, Harris sentiu como se alguém tivesse esfaqueado o seu cérebro com um medo brutal. Uma onda paralisante de medo cobriu os seus ombros, o topo da sua cabeça, e se derreteu na sua face. Era como se o Universo estivesse colapsando dentro da sua cabeça. Seu coração começou a acelerar, sua boca secou e suas mãos escoavam suor.

Ele sabia que tinha mais 4 notícias para ler, e isso parecia uma eternidade. Sem poder fazer uma pausa, e sem ter para onde se esconder, a onda de terror crescia e se amplificava pelo fato de que tudo estava sendo transmitido ao vivo.

Sua voz interna começou a tagarelar:

Você está em rede nacional.

Isso está acontecendo agora. Bem agora.

Todo mundo está vendo isso, cara.

Faça alguma coisa. FAÇA alguma coisa!

Harris então fez a única coisa que conseguiu pensar no momento. Ele desistiu! Ele passou a palavra novamente para Charlie, e deixou todo o estúdio sem saber o que estava acontecendo.

 

A Reviravolta

Nos momentos seguintes, Dan Harris se deu conta de que havia tido um ataque de pânico, e ficou extremamente envergonhado. Contudo, foi apenas mais tarde que ele entendeu o que havia causado o incidente.

Ele foi consultar um médico especialista em pânico, o qual fez uma série de perguntas, entre elas se ele usava drogas.

Basicamente, desde que havia começado a trabalhar no canal ABC News, Harris havia desenvolvido um “vício por trabalho”, que aliado com a sua depressão, levo-o ao consumo de drogas. Hoje, sabe-se que drogas como ecstasy e cocaína aumentam a dosagem de adrenalina no cérebro, causando ataques de pânico.

Naquele exato momento, dentro do consultório médico, Harris sabia que precisaria mudar completamente a sua vida.

Coincidentemente, mais ou menos na mesma época, Harris foi encarregado de cobrir a parte de religião para a ABC News, mesmo contra a sua vontade. Como Harris foi criado em um lar laico, por pais cientistas, ele nunca havia se interessado por religião.

Contudo, como jornalista, Harris precisou ler e estudar diversos aspectos religiosos para que conseguisse encontrar boas matérias. Um dia, uma produtora recomendou um livro de Eckhart Tolle, o qual é um famoso guru de autoajuda, pois justamente achava que essa seria uma boa matéria.

Harris leu o livro e, como conta no vídeo abaixo, “a princípio eu achei aquilo tudo um lixo imperdoável. Uma bobagem só. Muitas palavras pomposas, misturadas com pseudociência, prometendo uma certeza de que o livro irá mudar a sua vida. Mas então, eu me deparei com uma pesquisa sobre a condição humana que eu nunca ouvira falar”.

Estranhamente, mesmo sem Harris perceber, a descoberta que fez no livro conseguiu mudar radicalmente a sua vida.

 

A Voz de Dentro da Sua Cabeça

No livro de Eckart Tolle, o autor diz que todos nós temos uma voz dentro da nossa cabeça, um narrador interno que nos acompanha dia a dia, do momento que acordamos até o momento que vamos dormir.

Lendo a descrição feita por Tolle, Harris então percebeu que essa voz era de fato a grande responsável por tudo que ele tinha vergonha na sua vida, incluindo aquele ataque de pânico na frente de milhões de pessoas.

Da mesma forma, eu imagino que você também consiga se relacionar com Harris. Quantas vezes você desistiu de algum projeto, ou ficou remoendo alguma memória em decorrência do que sua voz interna estava falando? Quantas vezes já ficou envergonhado, ou ficou se culpando por algo que aconteceu e que só você lembra?

Na busca por mais respostas, Harris acabou encontrando um livro do psiquiatra Mark Epstein, que fala muito sobre a relação entre psiquiatria e budismo.  Harris percebeu que tudo o que havia achado de interessante no livro de Tolle era proveniente das palavras do Buda, e que diferentemente de Tolle, o Buda possuía alguns conselhos reais sobre como domar a sua voz interior.

O problema, contudo, era que Harris não gostava, e nem mesmo aplicava esses conselhos. Basicamente, o conselho principal é para que as pessoas comecem a meditar.

Para ele, isso parecia extremamente ridículo. Afinal de contas, ele sempre vinculou a prática da meditação com pessoas que moram em tendas, e gostam de aromaterapia, e que coletam cristais.

Foi apenas quando Harris começou a entender mais a fundo, e conversar com cientistas, que ele finalmente entendeu que meditação não passa de um simples exercício mental, com diversos benefícios para o corpo e para a mente.

 

10% Mais Feliz

Avançando rapidamente até hoje, Dan Harris é visto atualmente como uma autoridade na área de meditação. Ele medita diariamente, e conta toda a sua história no livro “10% Mais Feliz: Como Aprendi a Silenciar a Mente, Reduzi o Estresse e Encontrei o Caminho para a Felicidade”.

No livro, Harris vai a fundo na explicação de quais foram as suas experiências com a prática da meditação, e quais foram as pesquisas científicas que fizeram com que ele não só se tornasse um praticante ávido, mas também começasse a ensinar outras pessoas como fazer o mesmo.

Aqui, neste artigo, eu não vou falar sobre as minhas experiências com meditação, me atendo apenas aos achados científicos que eu acho mais interessantes para você.

Dessa forma, se de forma similar a Harris, você se considera um cético, continue lendo para compreender mais a fundo o que a ciência já conhece hoje a respeito da prática milenar da meditação.

 

Meditação vs. Mindfulness – Qual a diferença?

Bom, antes começarmos a falar das pesquisas científicas já feitas com meditação, eu penso que vale a pena pausarmos aqui para diferenciar dois termos que muitas vezes são usados indistintamente, como se tivessem o mesmo significado, mesmo que não possuam. Dessa forma, vamos falar da diferença entre meditação e mindfulness.

O mindfulness descreve um estado mental, onde você está continuamente consciente do que está acontecendo neste exato momento, tanto no que diz respeito ao que é externo a você (som, luz, temperatura, cheiros, etc.), como no que diz respeito ao que é interno a você (sensações de coceira, emoções, pensamentos, etc.).

A meditação, por outro lado, é o exercício que você faz para cultivar a habilidade de entrar e permanecer no estado de mindfulness. Então, da mesma forma que você vai a academia, e levanta peso para ficar mais forte, você medita para entrar e permanecer no estado de mindfulness.

Basicamente, os pesos que você levanta não correspondem à sua força, mas eles ajudam você a aumentá-la. Da mesma forma, a meditação não é o mesmo que mindfulness, mas ela te ajuda a entrar e permanecer nesse estado com uma frequência maior.

Dito isso, eu penso que você conseguirá agora entender e diferenciar facilmente essas duas palavras ao longo do texto.

 

Os Benefícios do Estado de Mindfulness

Uma das pesquisas mais interessantes na minha opinião, e que talvez seja um dos estudos que mais influenciou Harris a chamar seu livro de “10% Mais Feliz”, foi conduzido pelo Dr. Matt Killingsworth, pesquisador na Universidade de Harvard.

Basicamente, Killingsworth buscava entender quais são os fatores que mais influenciam os níveis de felicidade das pessoas, e para isso criou um aplicativo chamado de Track Your Happiness (em tradução literal, “Rastreie sua Felicidade”).

O aplicativo, após instalado, monitora a felicidade das pessoas em tempo real. Ele envia sinais para as pessoas em momentos aleatórios do dia, e faz algumas perguntas a respeito da sua experiência no instante logo antes do sinal.

A ideia, como Killingsworth explica no vídeo abaixo, é que se pudéssemos observar a felicidade das pessoas ao longo do dia, e ao mesmo tempo pudéssemos entender o que estão fazendo, com quem estão, e no que estão pensando, conseguiríamos correlacionar tudo isso e assim descobrir quais são os fatores que mais impactam nossa felicidade.

Os pesquisadores tiveram muito sucesso ao longo da pesquisa, pois conseguiram coletar mais de 650 mil relatos, de mais de 15 mil pessoas, das mais diversas faixas etárias, etnias, rendas, níveis de educação, etc. Além disso, os dados abrangem profissionais de mais de 86 categorias profissionais, e de mais de 80 países.

Os resultados são realmente surpreendentes!

 

Mindfulness e Felicidade

O primeiro dado extremamente interessante, retirado da pesquisa de Killingsworth, é que as pessoas tendem a divagar em média 47% do seu tempo. Em outras palavras, praticamente metade do tempo que você passa acordado você utiliza pensando no que está acontecendo no presente, e a outra metade você utiliza pensando ou no futuro, ou em situações passadas.

Obviamente, isso é apenas um média, sendo que existem pessoas que passam muito mais tempo presentes para que está acontecendo agora, e existem pessoas que passam muito mais tempo divagando, e pensando sobre outras coisas que não estão acontecendo no momento.

O segundo dado que é extremamente relevante para o que estamos discutindo aqui é que Killingsworth encontrou uma forte correlação entre o ato de divagar e altos níveis de infelicidade. Em outras palavras, quanto mais uma pessoa divaga ao longo do seu dia, e se afasta do que está acontecendo no presente, maiores são as chances de ela ficar triste ao longo do dia.

O que mais surpreende é que isso independe do tipo de pensamento que se pode ter. Até mesmo quando as pessoas divagam para pensar sobre um futuro feliz, ou quando lembram de algo bom que aconteceu no passado, ainda assim essas pessoas demonstram níveis inferiores de felicidade, quando comparadas às pessoas que permanecem com a atenção no presente.

Portanto, uma das conclusões dos achados de Killingsworth, é que o estado de mindfulness, onde você foca puramente no que está acontecendo no presente, contribui consideravelmente para a sua felicidade ao longo do dia.

 

O que é Meditação?

Certo, uma vez que entendamos que o estado de mindfulness está correlacionado à felicidade, a próxima pergunta que devemos responder é: como passar mais tempo nesse estado?

Bom, essa pergunta eu já respondi acima. O exercício que fazemos para cultivar o estado de mindfulness é chamado de meditação. Contudo, o que eu ainda não expliquei é como a meditação é capaz de fazer isso.

Então, em primeiro lugar, precisamos desmistificar alguns conceitos equivocados que algumas pessoas possuem sobre meditação, que podem atrapalhar o seu entendimento da técnica.

Em primeiro lugar, meditação não está necessariamente vinculada a religião, ou espiritualidade. Embora a maior parte das pessoas que acabam procurando a meditação tenham algum motivo espiritual, isso não é um pré-requisito para a prática, e em nenhum momento você precisa recorrer ou acreditar em seres celestiais para praticar ou colher os benefícios dessa prática.

Em segundo lugar, muitas pessoas, principalmente após praticarem uma ou duas vezes, chegam a conclusão que não conseguem meditar, pois não conseguem parar seus pensamentos. Bom, esse também não é o objetivo da meditação.

A verdade é que se você tem uma mente, e se você está vivo, sua mente vai divagar e pensamentos vão aparecer constantemente. Sua mente é responsável por prestar atenção nas suas dores, distrações, desejos, fantasias e memórias. Sua mente faz todas essas coisas e está ativa a todo instante. O objetivo da meditação não é parar os pensamentos, mas sim ganhar consciência do que está acontecendo com você no momento presente.

 

Os 4 Passos da Meditação

Dito isso, eu gosto de pensar no processo de meditação em 4 passos, que funcionam como um ciclo. O processo é ilustrado na imagem abaixo.

Meditação - 4 Passos

Dessa forma, o primeiro passo é a escolha de algo onde você deve focar a sua atenção. Algo que está acontecendo neste exato momento. Uma “âncora” que busca estabilizar a mente quando ela começar a divagar.

Essa “âncora” pode ser física, como a chama de uma vela, ou um som (uma nota musical ou um mantra), pode ser um pensamento (um sentimento ou uma visualização), ou pode ser um ritmo, como a sua respiração.

O segundo passo é que depois de alguns segundos, ou talvez alguns minutos, a sua mente começará a divagar. Você pode começar a pensar em uma memória de infância, ou pode pensar na sua lista de afazeres, ou qualquer outra coisa.

Pouco tempo depois disso, o terceiro passo é você perceber que sua mente divagou, e então você pensa “Ah, eu deveria estar pensando na minha “âncora”, mas eu não estou”.

Por último, o quarto passo é você trazer a sua atenção de volta para a sua âncora, reiniciando todo o ciclo.

Dessa forma, eu quero deixar claro aqui que o objetivo da meditação é que você realize esse ciclo a maior quantidade de vezes possível. É como fazer o número máximo de repetições dentro de uma academia. Quanto mais vezes você finaliza o ciclo, melhor está sendo a sua meditação.

Eu digo isso porque muitas pessoas acreditam que o objetivo final da meditação é você deixar de divagar completamente, e permanecer com a mente no presente a todo momento. Não! O seu objetivo aqui é perceber quando a sua mente divaga, e assim que perceber, você deve trazer a sua atenção novamente para a sua âncora.

 

Por Que a Meditação Funciona?

Bom, uma vez que você entenda esse passo a passo, você pode estar se perguntado por que isso é necessário? Por que nosso objetivo é manter o ciclo acontecendo e não apenas deixar de divagar?

Para explicar como isso funciona, vamos pensar em duas porções distintas do cérebro.

 

Amígdala vs. Córtex Frontal

No cérebro, podemos encontrar uma região chamada de amígdala, que está vinculada às nossas emoções, e é a fonte da nossa resposta luta/fuga. A amígdala também é uma das grandes responsáveis pelo sentimento de medo, e pela liberação de adrenalina em situações estressantes.

A outra região presente no cérebro é conhecida como córtex frontal, e é responsável por nosso pensamento racional e planejamento.

Essas duas porções do cérebro estão conectadas, e tentando inibir a ação uma da outra. Contudo, a amígdala é um pouco mais forte, o que é bom por motivos de sobrevivência. Isso porque se você está hoje andando em uma floresta, e uma onça pula na sua frente, é muito melhor que sua amígdala comande seus movimentos de fuga, do que seu córtex busque planejar por muito tempo o que deve fazer.

O problema, contudo, é que sua amigdala não consegue diferenciar realidade de imaginação. Dessa forma, ela reage exatamente da mesma forma se você fechar os olhos e imaginar uma onça na sua frente querendo te matar, ou se você estiver vivendo essa situação real. O mesmo é válido se você está ruminando sobre uma reunião que deu errado, ou sobre uma briga que você teve com seu filho, etc.

A cada vez que você lembra, ou cria na sua mente uma situação de ameaça, sua amígdala dispara, liberando os hormônios vinculados ao estresse.

Dessa forma, quando seguimos os 4 passos da meditação sucessivas vezes, aprendemos a detectar esses momentos de ruminação ao longo do dia, e ganhamos a capacidade de pará-los, voltando nosso foco para o que está acontecendo no presente.

Com isso, temos uma diminuição drástica na ativação da amígdala, reduzindo assim a quantidade de hormônios estressantes na sua circulação, o que resulta em uma melhor qualidade de sono e maior clareza mental.

 

Os Benefícios da Meditação

Com isso, conseguimos também explicar os principais benefícios encontrados com a prática da meditação.

Geralmente, quando as pessoas começam a meditar diariamente, em um período de 2 a 4 semanas elas começam a reportar que se sentem menos estressadas, dormem melhor e possuem maior clareza mental. Isso acontece justamente pela desativação da amígdala.

Ainda assim, outros benefícios já foram encontrados em diversos artigos científicos. Entre eles:

 

1. Aumento da Capacidade de foco e atenção:

Em um estudo publicado em 2012, pesquisadores da Universidade de Washington constataram que a prática de meditação uma vez por semana, por 8 semanas, faz com que os participantes desenvolvam a capacidade de ficarem mais tempo concentrados no seu trabalho, alterem menos entre tarefas e desenvolvam menos emoções negativas quanto às funções realizadas.

Além disso, outro estudo aponta que a meditação é capaz de aumentar a capacidade de sustentar a atenção nas tarefas feitas.

 

2. Melhor Processamento de Informações:

Ainda em 2012, evidências foram encontradas de que meditadores de longa data possuem maiores quantidades de “girificação” (dobras no córtex cerebral), as quais estão envolvidos no processamento mais rápido de informações.

Esses indícios favorecem a teoria da plasticidade cerebral, onde o cérebro é capaz de se adaptar conforme as nossas práticas e mudanças que ocorrem no ambiente.

 

3. Redução do declínio cognitivo decorrente do envelhecimento:

Por muito tempo acreditou-se que todos nós estamos fadados ao declínio cognitivo decorrente do processo de envelhecimento. Esse processo pode ser visto, por exemplo, no aumento do tempo de resposta que motoristas vivenciam com o passar dos anos.

Quando ficamos mais velhos, naturalmente nosso tempo de resposta ao ambiente fica mais lento, contudo, esse tipo de problema não ocorre em meditadores de longa data, fornecendo evidência de que a meditação também pode ter um papel neuroprotetor no nosso organismo.

 

4. Maior Estabilidade Emocional

Outro profundo benefício da meditação está no desenvolvimento de maior resiliência e estabilidade emocional. Conforme este estudo, praticantes de meditação de longa data possuem maior densidade de matéria cinzenta em regiões vinculadas a controle emocional e memória.

Já em outro estudo, praticantes de meditação mostram maiores sinais de empatia, vinculando assim a meditação ao desenvolvimento de inteligência emocional.

 

Como meditar?

Uma vez que você entenda quais são os benefícios da meditação, chegou a hora de partirmos para a prática, e aprendermos como iniciar o costume diários de meditar.

 

Posicionamento Corporal

Diferente do que muitas pessoas pensam, não existem posições certas ou erradas para meditar. O que existe são posições mais aconselhadas, dependendo da prática que está sendo desenvolvida.

Enquanto que alguns tipos particulares de meditação são feitos caminhando, ou até mesmo dançando, a maior parte das meditações é feita em posições estáticas, seja sentado ou deitado. A posição de flor de Lótus, a qual é comumente vinculada a meditação, não é muito confortável para iniciantes, sendo que nesse caso é recomendado que se sente em uma cadeira ou almofada.

É também recomendado que a coluna permaneça ereta, sem que o pescoço fique rígido, permitindo assim melhor oxigenação do cérebro. Os olhos podem ficar fechados ou levemente abertos, sendo que nesse último caso, você pode focar em um ponto que se encontra logo a sua frente.

 

O Uso de “Âncoras”

Como comentado anteriormente, todos os tipos clássicos de meditação utilizam uma “âncora” para direcionamento do foco durante todo o processo de meditação.

Existem 3 meditações “clássicas”, assim chamadas porque são as mais comuns. São elas samatha, metta e vipassana. Cada uma delas possui uma “âncora” diferente.

 

Samatha

Prática voltada a “acalmar a mente”, e desenvolver o foco. Aqui as âncoras escolhidas correspondem à um único ponto de atenção.

Por exemplo, você pode escolher uma nota musical, ou a chama de uma vela, ou a sensação do ar entrando e saindo das suas narinas, ou o seu abdômen se expandindo e se contraindo.

 

Metta

Prática voltada ao desenvolvimento de empatia, onde escolhemos como âncora alguns sentimentos, os quais permanecemos desejando a nós mesmos e para outras pessoas.

São utilizadas frases como “Que você seja feliz, que você tenha saúde, que você esteja seguro e que você esteja em paz”.

Durante a meditação, permanecemos repetindo essas frases, contribuindo assim para o desenvolvimento de sentimentos de compaixão. Dessa forma, como benefícios dessa prática se destacam o desenvolvimento de estabilidade e inteligência emocional.

 

Vipassana

Prática voltada à impermanência e ao desenvolvimento de insights. Nessa prática, comumente escolhemos como âncora diferentes pontos de atenção que vão se alterando.

Por exemplo, podemos escolher como âncora o nosso pensamento, e então focamos nossa atenção no pensamento e/ou sentimento que está passando por nossa cabeça. No momento seguinte, buscamos não nos apegar a esse pensamento, e deixamos que nossa cabeça siga para outro pensamento. Basicamente, consideramos os pensamentos como nuvens que passam no céu, sendo nosso único papel é ficar observando.

Como outro exemplo, podemos escolher como âncora as sensações do corpo, e então ficamos alternando nossa atenção por diferentes partes do corpo, percebendo se cada parte está relaxada ou contraída, se está coçando ou talvez dolorida.

 

Por Onde Eu Começo?

Não existe a necessidade de ficar restrito a um tipo de meditação. Caso prefira, você pode fazer 5 minutos de cada uma delas por dia. Em contrapartida, você pode preferir praticar 20 minutos de Samatha todos os dias para melhor desenvolver atenção. Independentemente do que você escolha, o importante é que entenda que todas elas possuem imensos benefícios.

Caso nunca tenha meditado e queira começar, recomendo que inicie com Samatha, focando por 7-10 minutos a sua atenção na respiração.

Lembre-se que o objetivo não é parar a corrente de pensamentos, mas sim voltar a atenção para a respiração todas as vezes que perceber que está divagando. No início, esses 7-10 minutos podem parecer muito tempo, e você deve considerar-se vitorioso caso consiga voltar-se para respiração mesmo que uma única vez durante esse período.

Com a prática, você conseguirá aumentar o número de vezes que percebe sua mente divagando, e conseguirá aumentar gradativamente o seu tempo de meditação.

 

Treinamentos e Aplicativos 

Por último, caso esteja precisando de ajuda para começar, não se preocupe. Existem diversos cursos e aplicativos que podem te ajudar ao longo do caminho.

Ao meu ver, um dos melhores cursos de meditação para iniciantes no Brasil é o “Acredita e Medita”, da Paula Abreu.

Meditação - Acredita e Medita

O curso possui duração de 21 dias, e nele você aprende diversos tipos diferentes de meditação. Você recebe diariamente uma nova técnica, e até mesmo pode baixar cada meditação em mp3 para ouvir no seu celular ou tablet.

 

Curso Acredita e Medita >>

 

Caso prefira começar com algum aplicativo, os dois melhores aplicativos que eu conheço são:

Ambos são excelentes, e possuem versões para Android e iOS. Contudo, ambos são em inglês.

 

Considerações Finais

A cada ano, novos artigos relatam mais e mais os benefícios provenientes da prática da meditação. Nos anos 50, se você falasse para alguém que saiu correr, provavelmente perguntariam quem estava te perseguindo.

Mas da mesma forma que a prática do exercício físico chegou aos consultórios médicos como uma recomendação obrigatória, no futuro a meditação também será uma das práticas mais difundidas para o bem-estar da mente e do corpo. Espere e verá!

“A meditação é a descoberta de que o sentido da vida é sempre chegar no momento imediato. ” – Alan Watts

 

Referências

Livros:

 

Vídeos:

 

Cursos:

 

Podcasts:

 

Artigos Científicos:

 

Artigos:

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