Estratégia Da Vinci de Criatividade: Como Descobrir seu Gênio Criativo

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Em 15 de abril de 1452 nascia Leonardo da Vinci, um dos homens com a mente mais aguçada e curiosa que já vivou sobre a Terra. Pintor, escultor, desenhista, cientista, inventor, engenheiro, arquiteto e músico, Leonardo da Vinci estudou e expandiu o conhecimento humano em diversas áreas.

Suas anotações incluem reflexões sobre astronomia, anatomia humana, ótica, técnicas de pintura, matemática e até mesmo voo humano. Não há dúvida que Leonardo da Vinci possuía uma visão e entendimento de mundo que estavam séculos a frente de seu tempo.

Contudo, embora possa não parecer, Leonardo da Vinci não nasceu um gênio. Ao longo de sua vida, ele precisou criar e aprimorar diversas técnicas que possibilitassem a expansão de sua mente, tornando-o uma pessoa mais criativa e inteligente.

Diversas dessas estratégias desenvolvidas por da Vinci ficaram registradas em suas anotações, possibilitando que pessoas normais, como eu e você, também consigam utilizá-las com sucesso.

Vamos então conhecer hoje a Estratégia da Vinci de Criatividade!

 

Descobrindo seu Gênio Criativo

No artigo “Como Ideias Inovadoras se Originam: Por que Velhas Ideias são suas Armas Secretas”, discutimos que o processo criativo não consiste em um momento único de transformação, onde você pega algo completamente sem valor e transforma em algo completamente novo e com grande utilidade. Na realidade, o processo criativo está muito mais vinculado a você conectar e sintetizar suas experiências passadas.

Por exemplo, você sabia que muitas das fórmulas utilizadas hoje para calcular o preço de ações foram criadas através de cálculos originalmente desenvolvidos para entender o movimento de partículas de poeira, misturados com cálculos utilizados em jogos de azar?

Você sabia que os capacetes utilizados hoje por ciclistas só existem porque um designer se perguntou o que aconteceria se ele pegasse um casco de navio, o qual é feito para aguentar praticamente qualquer tipo de colisão, e o adaptasse para o formato de um chapéu?

Pois é, assim funciona o processo criativo. Conectar e sintetizar é a base de qualquer nova invenção. Mas como então da Vinci conseguia conectar diversas ideias em uma época com pouquíssimo acesso a novas informações?

 

O Poder das Analogias

Em seu livro “Cosmografia do Microcosmo”, da Vinci descreve a seguinte passagem:

“Da mesma forma que o homem tem ossos que suportam e estruturam a carne, a Terra possui rochas que suportam o solo. Da mesma forma que o homem carrega um lago de sangue no qual os pulmões inflam e desinflam na respiração, o corpo da Terra possui oceanos que aumentam e diminuem a cada seis horas na respiração cósmica. Como as veias emanam do lago de sangue e são ramificadas pelo corpo humano, da mesma forma, os oceanos enchem o corpo da Terra com uma infinidade de veias de água”.

Talvez, aos olhos despercebidos, você não consiga notar a importância dessa passagem. Contudo, aqui, da Vinci está alavancando seu pode criativo através da utilização de analogias.

Ao comparar algo que Leonardo conhecia (a Terra), com algo que ele desconhecia na época (o corpo humano), ele era capaz de acelerar o seu aprendizado, e com isso chegar a conclusões não tão obvias para a época.

Através da utilização de analogias, ele conseguiu expandir seu conhecimento em novas áreas, aumentando assim sua capacidade de fazer novas conexões e sintetizar ideias completamente inovadoras.

 

A Estratégia da Vinci de Criatividade

Com isso em mente, e ao estudar essa e outras estratégias de da Vinci, em 1995 Robert Dilts publicou o livro “A Estratégia da Genialidade”, onde descreve em mais detalhes uma estratégia criativa utilizando analogias.

Para iniciar o processo, é necessário que você escolha:

  1. Uma área do conhecimento que você tenha domínio;
  2. Um projeto que você está trabalhando atualmente, e no qual é necessário um certo nível de criatividade.

É importante eu colocar aqui que o tema do seu projeto e a área do conhecimento não precisam estar relacionadas. Na realidade, é até melhor que elas estejam afastadas.

Para fornecer um exemplo da metodologia funcionando, eu vou escolher como minha área de conhecimento a biologia (caso você não saiba, eu sou biólogo por formação), e como projeto a publicação de um livro. Uma vez realizada ambas as escolhas, podemos começar.

 

Passo 1: Estabeleça 3 Critérios Essenciais que fazem parte do seu projeto.

Bom, se eu desejo publicar um livro, eu penso que 3 dos critérios que eu preciso fazer são:

  • Escrita do livro;
  • Escolha da capa;
  • Campanha de Marketing.

Obviamente, existe diversos outros tópicos que eu também preciso executar durante a publicação de um livro, mas para que o exercício não fique desgastante demais, escolha apenas 3.

 

Passo 2: Faça uma analogia sobre o que esses 3 critérios seriam dentro do tema que você escolheu.

Certo, então como próximo passo eu preciso fazer uma analogia de cada um dos critérios do meu projeto com o meu tema escolhido (biologia). Então, na minha cabeça a relação seria:

  • Dentro da biologia, a escrita do livro seria como uma célula, já que essa é a parte mais básica e essencial do processo. Sem ela, nada mais pode existir;
  • Na biologia, a escolha da capa seria como um indivíduo, pois da mesma forma que a capa representa meu livro como um todo, um indivíduo é a representação de toda a sua espécie;
  • O marketing, na biologia, seria como uma comunidade biológica, pois da mesma forma que temos uma diversidade gigantesca de indivíduos no mundo, uma comunidade biológica possui uma diversidade gigantesca de espécies.
Quer saber mais? Então leia   Meditação: O Guia Científico Para Reduzir o Estresse, Aquietar a Mente, e Ainda Ficar 10% Mais Feliz

Para facilitar a visualização, você pode esquematizar o processo conforme a figura abaixo:

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É importante perceber nesse momento que você pode não estar realizando as mesmas conexões que eu estou fazendo. Para você, cada um dos tópicos que eu escolhi poderiam ser coisas completamente diferentes. Contudo, esse é um processo individual, sendo que as outras pessoas não precisam entender necessariamente de onde você está tirando cada uma das suas conexões.

 

Passo 3: Para cada um dos tópicos escolhidos no seu tema, defina 3 subtópicos.

Uma vez que você defina quais são os 3 tópicos equivalentes no tema que você domina, chegou a hora de quebrar esses tópicos em 3 outros componentes. Por exemplo:

  • Célula: Para o funcionamento de uma célula é importante o seu material genético, as suas proteínas, e as suas organelas.
  • Indivíduo: Podemos dividir um indivíduo de acordo com a sua anatomia (estuda a estrutura do corpo), fisiologia (estuda o funcionamento do organismo) e histologia (estuda a estrutura dos tecidos do corpo).
  • Comunidade: Alguns subtópicos importantes no estudo de comunidades são a biodiversidade, a cadeia alimentar, e o nicho ecológico de cada organismo.

Novamente, para facilitar a visualização, coloque cada um dos subtemas dentro de um quadrado, conforme ilustrado abaixo:

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Passo 4: Realize o processo reverso, fazendo analogias do que cada subtópico representaria no seu projeto atual.

Utilize novamente a sua imaginação para pensar o que cada subtópico representaria no seu projeto atual. Por exemplo:

  • O material genético de uma célula representa todo o conhecimento que a célula possui para se expressar;
  • As proteínas presentes em uma célula formam grande parte da sua estrutura, que no processo de escrita de um livro corresponderiam aos tópicos e capítulos do livro;
  • As organelas presentes na célula funcionam como máquinas, sendo poderosas ferramentas que a célula utiliza para se manter viva.

Siga o mesmo raciocínio para cada um dos demais tópicos e subtópicos. Para ficar mais fácil de visualizar, confira a imagem abaixo:

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Passo 5: Escolha um subtópico de cada área, e procure fazer combinações.

Por último, o quinto passo é você começar a conectar e sintetizar ideias a partir dos tópicos que você escreveu. Escolha 1 subtópico de cada área, e faça combinações. Por exemplo:

  • Se eu somar “Conhecimento” + “Estrutura” + “Competição”, a imagem que se formaria na minha cabeça seria “Conhecer os livros e conteúdos dos meus concorrentes”.
  • Se eu somar “Ferramentas” + “Design” + “Diversidade”, a imagem que me vem à cabeça seria “Encontrar designers que me forneçam uma grande diversidade de capas”.
  • Se eu somar “Capítulos e Tópicos” + “Passo a Passo” + “Nicho de Atuação”, eu teria em minha cabeça “Estabelecer uma linha de raciocínio passo a passo para o entendimento dos capítulos e tópicos relacionados ao meu nicho de atuação”.

Nesse ponto, deixe sua cabeça sonhar e pensar no que ela quiser. Nesse momento, não critique uma ideia como boa ou ruim. Apenas deixe que as ideias comecem a se conectar na sua cabeça.

Ao final do processo, você provavelmente terá uma lista com novas ideias. Grande parte delas serão infundadas, e talvez não tenham grande serventia. Contudo, é relativamente comum você ter ao menos uma ideia que não havia pensado antes. Uma conexão totalmente nova e inesperada!

Ao final do processo, mesmo que você saia com apenas uma ideia inovadora, essa ideia já faz com que todo o processa valha a pena. Isso porque embora pareça trabalhoso e cansativo, ele se aproveita das condições naturais que a sua cabeça lhe oferece.

Ao fazer analogias entre um tema que você domina e um novo projeto, você se aproveita de todas as suas conexões neurais, as quais se formaram ao longo dos anos, e consegue visualizar e sintetizar novas ideias em questão de minutos.

 

Considerações Finais

Comumente, quando pensamos nos grandes gênios da humanidade, atribuímos sua capacidade excepcional de raciocínio a fatores que fogem o nosso controle, como genética e talento. Contudo, quando sentamos para estudar a fundo o que esses gênios faziam, percebemos que o processo não é assim tão complicado e talentoso.

É justamente a simplicidade e alta eficiência dos processos cognitivos desenvolvidos por esses mestres que fazem com que sejam verdadeiros gênios!

Caso alguma das ideias aqui defendidas faça sentido para você, utilize os botões logo abaixo para compartilhá-lo nas redes sociais. Afinal de contas, não são todos os dias que temos acesso às estratégias que os verdadeiros gênios utilizaram nas suas épocas para criar suas grandes invenções.

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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2 Respostas para “Estratégia Da Vinci de Criatividade: Como Descobrir seu Gênio Criativo

  • Legal seu texto Leonardo.
    Cheguei até aqui pelo link que vc deixou na página do Henrique (VDB) e gostei bastante.
    Parabéns pelo conteúdo!! Vou tentar aplicar suas ideias.