Como Ideias Inovadoras se Originam: Por que Velhas Ideias são suas Armas Secretas

Em 2010, Thomas Thwaites decidiu que construiria uma torradeira totalmente do zero. Ele havia se inspirado na citação de Douglas Adams (1992), que diz que “Se deixado sozinho com seus próprios dispositivos, ele não conseguiria construir uma torradeira. Ele poderia apenas fazer um sanduíche e apenas isso”.

Para iniciar seu projeto, Thomas procurou online a torradeira mais barata que conseguiria comprar, imaginando que quanto mais barata fosse a torradeira, mais fácil seria realizar o processo de engenharia reversa e remontar todos os seus componentes.

Para sua surpresa, ao final do processo de desmontagem, haviam mais de 400 componentes espalhados pelo chão. A torradeira possuía mais de 100 diferentes materiais, e era composta principalmente por 4 deles: plástico, níquel, aço e mica.

Embora muitas pessoas desistiriam do projeto nessa parte, esse não foi o caso de Thwaites.

 

O Projeto “Torradeira”

O primeiro passo de Thwaites foi então contatar diferentes lugares, principalmente mineradoras, para conseguir os materiais necessários. Por exemplo, Thwaites lembrava das suas aulas no ensino médio onde aprendeu que o aço é criado a partir do ferro, e então ele foi até uma mineradora abandonada conseguir esse material.

Para conseguir cobre, por outro lado, ele precisou coletar água acidificada em cavernas no País de Gales, que possuíam cobre o suficiente para moldar os pinos que encaixam na tomada.

Esse padrão continuou até o final do “Projeto Torradeira”, e você pode acompanhar toda a jornada de Thwaites clicando aqui.

Ao final do projeto, a torradeira foi finalizada, e ficou parecendo muito mais com um bolo derretido do que com uma torradeira propriamente dita. Mais tarde, Thwaites  falaria “Eu percebi que se você começar absolutamente do zero, você pode facilmente passar sua vida inteira construindo uma torradeira”.

 

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Thomas Thwaites construiu uma torradeira a partir do zero. O “Projeto Torradeira”, como passou a ser conhecido, acabou parecendo mais como um bolo derretido. (Crédito da foto: Daniel Alexander.)

 

Não comece do zero

Comumente, quando estamos considerando ideias inovadoras, nós assumimos que todas elas são provenientes de uma lousa em branco. Quando pensamos no processo criativo, muitas vezes parece que as pessoas pegam conceitos totalmente crus e desprovidos de utilidade, e os transformam em ideias robustas, com grande serventia.

Mas raramente esse é o caso. Como Steve Jobs disse em 1996 “Quando você pergunta para pessoas criativas como elas fizeram alguma coisa, elas se sentem um pouco culpadas, porque elas não fizeram realmente aquilo. Elas apenas viram alguma coisa. Pareceu óbvio para elas depois de algum tempo. Isso porque elas foram capazes de conectar experiências que tiveram e sintetizá-las em novas ideias”.

Dessa forma, as pessoas mais inovadoras são geralmente aquelas com novas combinações de ideias antigas. Os verdadeiros inovadores não criam, mas conectam e sintetizam. Isso é o que a minha experiência fala, e o que a ciência corrobora.

 

Conectando e Sintetizando Ideias

Em 2011, os pesquisadores Brian Uzzi e Ben Jones, da Universidade de Northwestern, buscavam entender como funciona o processo criativo. Eles possuíam acesso a uma base de dados de aproximadamente 17,9 milhões de manuscritos científicos, e decidiram montar um algoritmo para averiguar o que havia de comum nos artigos mais criativos.

Os pesquisadores sabiam que não conseguiriam medir propriamente a criatividade de cada artigo, mas eles podiam estimar quais eram os mais criativos através da quantidade de citações que eles possuíam. De acordo com Uzzi “Para chegar no top 5% dos artigos mais citados, você precisa dizer algo muito novo”.

A análise mostrou aos pesquisadores que alguns artigos eram pequenos, e outros grandes. Alguns eram escritos apenas por um indivíduo, e a maioria por equipes. Alguns artigos eram assinados por autores no início de sua carreira, e outros por pesquisadores seniores.

Em outras palavras, existiam diversas formas de você escrever um artigo criativo. Contudo, praticamente todos os artigos possuíam uma coisa em comum: eles eram a combinação de ideias conhecidas, misturas para criar novas formas de pensar.

Para colocar nas palavras de Uzzi e Jones “Os artigos com maior impacto são fundamentados principalmente em combinações excepcionalmente convencionais de trabalhos anteriores, enquanto ainda apresentam simultaneamente a intrusão de combinações incomuns”.

Quer saber mais? Então leia   Estratégia Da Vinci de Criatividade: Como Descobrir seu Gênio Criativo

“Um artigo que combina as ideias de Newton e Einstein é convencional. Essa combinação aconteceu centenas de vezes. Mas um artigo que combina Einstein e Wang Chong, o filósofo chinês, possui uma chance muito maior de ser criativo, porque essa é uma combinação pouco usual”, defende Uzzi.

Em outras palavras, a combinação de ideias, e não a ideia propriamente dita, tipicamente faz com que um artigo seja ou não criativo.

 

Os 5 Passos do Processo Criativo

Bom, nesse momento eu espero que você já esteja convencido de que a criatividade está muito mais vinculada ao processo de combinar e sintetizar ideias antigas, do que ao processo de pensar sobre algo totalmente novo.

Uma vez que você internalize esse conceito, existem diferentes maneiras de você utilizá-lo. Uma dessas formas é descrita em detalhes no livro “A Technique for Producing Ideas”, de James Young.

De acordo com Young, todo processo criativo é o resultado de cinco passos:

 

Passo 1 – Reúna material novo

Como primeiro passo, você aprende. Durante essa etapa, sua tarefa é estudar matérias específicos sobre o que você quer fazer, e estudar materiais diversos, que a princípio não possuem muita relação com o que você está criando.

 

Passo 2 – Trabalhe vigorosamente com o material na sua mente

Durante essa fase, examine o material que você coletou e aprendeu utilizando diferentes visões, e fazendo experimentos mentais de como seria juntar ideias discrepantes.

Para realização dessa fase, eu recomendo que você leia o artigo “Os Seis Chapéus do Pensamento: Como Organizar as Ideias da sua Equipe”, já que nesse artigo eu explico uma ferramenta sensacional para visualizar um projeto ou problema de diferentes ângulos. Vale a pena conferir!

 

Passo 3 – Se afaste do problema

Esse próximo passo pode ser um tanto contra intuitivo, mas é extremamente necessário. Se você quer resolver um problema, é necessário que você forneça espaço e energia para seu cérebro pensar com tranquilidade. Deixe seu subconsciente trabalhando, enquanto você realiza suas outras tarefas.

No artigo “Estado de Fluxo: O Guia Científico de Como Atingir e Permanecer em Alta Performance”, eu explico algumas formas de você libertar sua cabeça do problema, para que assim consiga ver a solução com mais clareza.

 

Passo 4 – Deixe que a ideia retorne naturalmente até você

Em algum ponto, que só acontece depois de você parar de pensar sobre o problema, a solução aparece naturalmente na sua frente. Você não sabe dizer como, mas as vezes você acordou pensando no seu novo insight, ou muitas vezes ele aconteceu enquanto você estava no banho.

Não faz diferença, pois o importante aqui é que sua cabeça encontrou a solução. A partir daqui a sua função é primordialmente desenvolver o que acabou de pensar.

 

Passo 5 – Desenvolva a sua ideia, se baseando no processo de feedback

Para que sua ideia tenha sucesso, ela precisa sair do papel e se tornar realidade. Existem diferentes formas de você fazer isso. O que eu posso te recomendar em primeiro lugar é a “Estratégia Disney de Criatividade”, que utiliza a figura do realista para desenvolver a ideia e o papel do crítico no processo de feedback.

Alternativamente, você também pode utilizar o “Método Action” para organizar suas ideias, e ter certeza de que elas se tornarão realidade.

 

Considerações Finais

O processo criativo se baseia no ato de criar novas conexões entre ideias antigas. Dessa forma, podemos dizer que o pensamento criativo envolve na sua maior parte o reconhecimento de relacionamentos entre diferentes conceitos.

Uma das formas de fazer isso é através dos 5 passos do processo criativo, que são: 1) Estude diferentes materiais; 2) Reflita intensamente sobre o que estudou; 3) Se afaste do problema; 4) Deixe que a solução chegue a você naturalmente; 5) Desenvolva sua ideia e teste a solução.

Quando estiver lidando com um problema complexo, geralmente é melhor que você construa a solução sobre o que já funciona. Qualquer ideia que está atualmente sendo usada já passou um monte de testes. Velhas ideias, portanto, são uma arma secreta porque já conseguiram fazer o mais difícil: sobreviver nesse mundo complexo e cheio de alternativas.

Se alguma das ideias aqui defendidas fez sentido para você, peço que compartilhe o que está pensando na área de comentários. Terei o maior prazer em ler quais são as suas reflexões sobre as ideias que acabei de defender. Vejo você logo abaixo!

 

 

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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