Gatilhos Mentais: O Enorme Impacto do Ambiente sobre a sua Produtividade

Mudar seus hábitos pode ser realmente muito difícil. É complicado se manter motivado, e mesmo quando o hábito adotado lhe faz bem, em algumas situações você acaba escorregando e voltando para os seus antigos padrões de comportamento.

Mas o que aconteceria se eu te fornecesse uma opção diferente? Algo que não envolve nem um pouco de motivação?

Em 2003, os pesquisadores Eric Johnson e Daniel Goldstein realizaram um estudo surpreendente, que revelou o quanto o ambiente que você vive influencia o seu comportamento, mesmo sem você perceber.

 

Você é doador de órgãos?

Os pesquisadores primeiramente coletaram dados relacionados aos programas de doação de órgãos de 11 países europeus. Após obter esses dados, foi possível observar a porcentagem de cada população que estava cadastrada como doadora, e o resultado obtido pode ser observado no gráfico logo abaixo.

 

Importante ressaltar aqui que essa não é a porcentagem de pessoas que realmente doam seus órgãos, pois isso depende muito dos motivos para o falecimento de cada pessoa. Mas o que podemos observar aqui é que existe uma distinção clara entre alguns países com taxas muito baixas de doação (esquerda) e países com alta taxa de doação (direita).

Quando os pesquisadores observaram o gráfico, eles ficaram um tanto confusos. Por que razão alguns países tinham taxas de doação tão superiores quanto comparados aos demais?

 

Por que você é um doador?

A primeira hipótese foi a de que a diferença nas doações seria por diferenças culturais ou religiosas, mas esse não foi o caso.

Por exemplo, a Dinamarca e a Suécia são países vizinhos. Eles possuem diversas similaridades culturais, sociais e geográficas. Você esperaria ter taxas similares de doação, mas enquanto que apenas 4% da população da Dinamarca escolheu doar seus órgãos, 86% da população sueca escolheu fazer o mesmo.

Em seguida, os pesquisadores examinaram a hipótese de que a diferença poderia ser proveniente do investimento do governo nessa causa. Entretanto, esse também não foi o caso.

De acordo com os dados, o país que mais investiu para aumentar a taxa de doação de órgãos foi a Holanda. O governo holandês enviou uma carta para cidadão do país, solicitando que se tornassem doadores. Houveram propagandas no rádio e na televisão, mas isso apenas fez com que 27,5% da população se tornasse doadora.

Como então diferentes países como a Áustria, França, Portugal e Bélgica conseguiram taxas tão boas de doações? Qual o principal motivo pelo qual a população se tornava doadora?

 

A grande diferença

Como conclusão do experimento, os pesquisadores afirmaram que os países da esquerda possuíam uma simples diferença comparada aos países da direita.

A diferença estava no modelo de formulário que cada país entrega aos seus cidadãos. Os países com altas taxas de adesão ao programa de doação de órgãos mandavam formulários que falavam “Se você NÃO quer ser um doador de órgãos, marque o quadro ao lado”. Em outras palavras, a opção padrão do formulário (quadro desmarcado) era para se tornar um doador.

Em contraste, os países com baixas taxas de adesão enviavam formulários que diziam “Se você quer ser um doador de órgãos, marque o quadro ao lado”. Em outras palavras, a opção padrão agora era não se tornar um doador.

 

Por que isso é importante?

Quando estamos pensando sobre a nossa vida, temos uma impressão tremenda de que somos nós que estamos no controle. Somos nós quem tomamos nossas próprias decisões. Decidimos o que comer, o que vestir, como dirigir e se somos ou não doadores de órgãos.

Contudo, se você levar esses resultados a sério, o que eles sugerem é que sim, nós tomamos decisões, mas as pessoas que montam os formulários possuem uma grande influência nas nossas decisões finais. Em outras palavras, o ambiente no qual vivemos possui uma influência muito grande na nossa decisão final.

Uma vez que você entenda isso, você pode tentar lutar contra isso, ou aprender como seu cérebro funciona, e começar a utilizar isso ao seu favor. A segunda opção me parece muito mais interessante, e por isso continuaremos a partir dela daqui em diante.

 

Gatilhos Mentais – Como seu cérebro processa informações

Nos últimos anos, popularizou-se a utilização do termo “Gatilhos Mentais” para descrever alguns padrões de comportamento, que são realizados pela maioria das pessoas, mesmo sem um processamento consciente.

Basicamente, a maneira como isso funciona é através de algum estímulo, que te traz alguma lembrança, ou te coloca em um estado emocional propício para realizar determinada ação.

Por exemplo, escute um trecho da música logo abaixo:

 

Do que você lembra quando escuta essa música? Para ser um pouco mais exato, de quem você lembra quando escuta essa música?

Se você é como a maior parte das pessoas, você rapidamente vincula essa música ao Ayrton Senna, e facilmente entra em um estado emocional de vitória, conquista e patriotismo.

Agora, escute essa outra música logo abaixo:

 

Novamente, do que você se lembra quando escuta essa música? Como você se sente?

Essa é a música do plantão da Globo, e é geralmente vinculada a algum tipo de desastre, catástrofe ou morte. Particularmente, esse som me traz facilmente a visão do atentado de 11 de setembro, já que eu lembro claramente de chegar em casa, ouvir essa música e ver as cenas das torres gêmeas.

 

Gatilhos Mentais Visuais e Cinestésicos

Esse mesmo padrão funciona não só para estímulos auditivos, mas também para estímulos visuais e sinestésicos (olfato, paladar e tato).

Por exemplo, provavelmente existem alguns cheiros de perfumes que te fazem lembrar de pessoas específicas. Da mesma forma, existem alguns alimentos que facilmente te fazem lembrar da sua mãe ou da sua avó.

Estímulos visuais também são extremamente importantes. Não é a toa que quando você vê o logo da Coca-Cola, você pensa em refrigerante. Ou quando vê o logo da Gilette, pensa em um prestobarba.

O que eu quero que você perceba aqui é que todos esses comportamentos são disparados em você automaticamente, sem que você precise de motivação, ou força de vontade. Sua cabeça naturalmente vincula duas informações que a princípio não possuem vínculo algum.

De onde você tira que determinado perfume está relacionado a uma pessoa? De onde você tira que determinada música está relacionada ao Ayrton Senna? É justamente disso que vamos falar a seguir…

Quer saber mais? Então leia   O Vício de Procrastinar: As 7 Diferentes Personalidades de um Bom Procrastinador

 

Como Gatilhos Mentais São Formados

Então, basicamente um gatilho mental consiste em duas informações que a princípio não estão vinculadas, mas passam de alguma forma a se conectar sem um esforço consciente.

A pergunta que poderíamos fazer então seria: o que basicamente une essas duas informações? Como o seu cérebro sabe quais informações devem estar conectadas?

Em apenas duas palavras: pelo impacto emocional.

Se o Ayrton Senna acabou de ganhar uma corrida, e você se sente vitorioso junto com ele, e a música toca, seu cérebro vincula a imagem e a música.

Se você está com uma pessoa, e se sente bem ou mal na sua presença, e aí cheira o seu perfume, seu cérebro vincula a imagem da pessoa com o cheiro.

Se você compra uma Coca-Cola, toma um gole do refrigerante, sente-se bem com isso, e vê o logo na latinha ou na garrafa, seu cérebro vincula o símbolo com o gosto.

Resumindo, seu cérebro é uma máquina de formar padrões, onde não faz diferença alguma quais são os dois estímulos que estão sendo conectados. Desde que exista um forte impacto emocional entre os dois estímulos, seu cérebro sempre criará um novo gatilho.

 

Aumentando sua Produtividade – Reconhecendo seus Gatilhos

Uma vez que você já esteja consciente para a importância que os gatilhos mentais possuem sobre a sua vida, podemos começar a analisar como eles estão hoje interferindo com a sua Produtividade.

Por exemplo, existem diversas pessoas que quando estão conversando comigo reclamam de procrastinação. Uma das primeiras perguntas que eu faço para essas pessoas é: “Você procrastina em todos os lugares? Você procrastina só trabalho ou também em casa? Você procrastina só em casa, ou talvez apenas no trabalho? ”

Se a resposta para essas perguntas estiver vinculada a apenas um lugar, por exemplo somente no trabalho, ou em casa, eu tenho um grande indício de que você pode estar procrastinando pela ativação de algum gatilho mental.

Pode ser que você procrastine apenas em casa, porque no trabalho você vê outras pessoas trabalhando, e isso dispara em você um gatilho mental para também trabalhar. Da mesma forma, pode ser que você procrastine em casa, porque quando você entra em casa, aquela visão dispara em você o sentimento de descanso, ou preguiça, e por isso você acaba procrastinando.

Se o seu caso é o inverso, e você só procrastina no trabalho e não em casa, pode ser que o seu ambiente de trabalho, ou até mesmo as pessoas com quem você trabalha, sejam um gatilho para desmotivação ou insegurança.

Independente de qual é o caso, se você desconfia que um gatilho mental pode estar sendo disparado, a melhor forma de testar é realizando alguma mudança de ambiente.

Se você não consegue estudar em casa, procure estudar em uma biblioteca ou cafeteria. Se você não consegue trabalhar no seu escritório, tente trabalhar um dia em casa. Se você não consegue trabalha comumente sentado, compre uma mesa para trabalhar em pé.

 

Aumentando sua Produtividade – Criando Novos Gatilhos

Bom, talvez não seja possível mudar de ambiente para não disparar seus gatilhos. Talvez você esteja procrastinando fazer uma faxina em casa, por exemplo.

Você há de convir que o conselho mude de ambiente não é muito útil nesse caso. Então o que você poderia fazer?

A resposta é muito simples: crie seus próprios gatilhos!

Acima, eu descrevi que um gatilho é proveniente de duas informações que são unidas por uma emoção. Quando maior a emoção, maior o vínculo entre essas informações.

Então o que eu vou pedir para você fazer agora é o seguinte. Feche os olhos, e lembre-se de algum momento na sua vida em que você se sentiu extremamente motivado para fazer alguma coisa. Você podia estar animado para viajar, ou para ganhar algum presente, ou para começar um novo emprego. Não importa exatamente qual é esse momento, desde que você consiga entrar novamente nessa memória e reviver o que aconteceu naquele dia.

Perceba o que você estava vendo, ouvindo, e sentindo naquele momento. Dê um tempo para sua memória relembrar bem dos detalhes daquele dia que fizeram você se sentir motivado. Assim que estiver sentindo novamente a emoção daquele momento, estale os dedos uma vez.

Pare de ler o texto e faça o exercício agora. Você vai me agradecer mais tarde!

Repita o processo por pelo menos umas 3 ou 5 vezes. Você pode utilizar diferentes momentos, mas concentre-se nas emoções que você estava sentindo. Todas as vezes que reviver o momento, estale os dedos uma vez.

 

Aumentando sua Produtividade – Checando os Novos Gatilhos

Uma vez que você tenha terminado o exercício, responda mentalmente às perguntas abaixo:

  • Quantos filhos você tem?
  • Qual foi sua última refeição?
  • Em que ano você nasceu?

Após responder à última pergunta, estale os dedos uma vez e veja como se sente. Motivado? Caso não esteja se sentindo motivado, repita o exercício mais algumas vezes, prestando ainda mais atenção às suas emoções. Elas são fundamentais para vincular a sua motivação com o estalo dos dedos.

Além disso, se preferir, o estímulo pode ser outro. Você pode bater de leve na sua perna, ou beijar o seu dedo, ou bater no peito. O estímulo em si não faz tanta diferença para o seu cérebro, desde que ele ocorra sempre da mesma forma quando estiver se sentindo motivado.

 

Considerações Finais

Nós somos rápidos em culpar nosso ambiente quando as coisas estão indo mal. Se você perde um emprego, é porque a economia é uma porcaria. Se você perder um jogo, é porque a arbitragem foi ruim. Se você está atrasado para o trabalho, é porque o tráfego está uma loucura.

Quando vencemos, no entanto, ignoramos completamente o ambiente. Se você consegue um emprego, é porque você é talentoso e simpático. Se você ganhar um jogo, é porque você jogou melhor. Se você chega cedo para uma reunião, é porque você está organizado e pronto.

É importante lembrarmos que o ambiente impulsiona tanto nossos bons como os maus comportamentos. Pessoas bem-sucedidas entendem o impacto o ambiente possui sobre sua Produtividade, e utilizam justamente essa influência a seu favor.

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About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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