Força de Vontade: O Que Fazer Para Evitar Péssimas Decisões!

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De vez em quando, todos nós tomamos más decisões. Sair da dieta, procrastinar, trabalhar sem planejamento, cancelar o treino na academia, acordar atrasado. Essas decisões fazem parte do nosso cotidiano e, embora reclamemos, temos muita dificuldade em alterá-las. Pensamos então que se tivéssemos força de vontade, tudo se resolveria e, consequentemente, conseguiríamos fazer tudo o que queremos.

Porém, algumas pesquisas nos últimos anos mostram que não é bem assim. Na realidade, você ficaria surpreso em saber como até mesmo pequenas decisões que tomamos no dia-a-dia impactam eventos não relacionados à essas escolhas. Tão importante quanto isso, as pesquisas nos mostram como podemos aumentar nossa força de vontade para tomarmos melhores decisões. Para isso, começaremos examinando como nossa força de vontade funciona.

 

Como pequenas decisões impactam nosso dia

Frutas Frescas ou Bolo de Chocolate?

Em um dos primeiros estudos realizados para entender como pessoas resistem a tentações, os pesquisadores Baba Shiv e Sasha Fedorikhin desenvolveram o seguinte experimento:

Um grupo de participantes era colocado em uma sala e então era explicado que precisariam fazer duas coisas a) memorizar um determinado número dado pelo experimentador, e b) esse número deveria ser repetido a outra pessoa que estava esperando na sala ao final do corredor. Muito simples, não? Bom, isso depende de qual grupo experimental você foi colocado.

Para o grupo 1, os números passados aos participantes possuíam apenas dois dígitos. Para exemplificar, vamos colocar aqui o número 49. Para o grupo 2, foram dados números com sete dígitos, por exemplo 5876346.

Após decorarem o número, era então solicitado que os participantes fossem até a outra sala no final do corredor. Mas aqui estava a outra parte do experimento: na metade do corredor havia uma mesa, na qual foram colocadas tigelas com frutas frescas e pedaços de bolos de chocolate. Ao lado da mesa, uma moça pedia aos participantes que escolhessem qual lanche gostariam de fazer ao final do experimento. Ela então fornecia um bilhete correspondente ao lanche escolhido.

Como os pesquisadores suspeitaram, os participantes que precisaram lembrar o número com sete dígitos escolheram o bolo de chocolate muito mais frequentemente que aqueles que precisaram decorar apenas dois dígitos. Os pesquisadores mostraram que os participantes que estão fazendo um maior esforço cognitivo possuem maiores dificuldades para resistir a tentações, mesmo que elas não estejam necessariamente vinculadas a tarefa.

 

Biscoitos ou Rabanetes?

Outro estudo que buscou mostrar o mesmo fenômeno foi conduzido por Roy Baumeister e Mark Muraven na Universidade de Case Western Reserve. Os pesquisadores conduziram o seguinte experimento:

Participantes eram colocados em uma sala onde haviam duas tigelas. Em uma delas, haviam biscoitos quentinhos, enquanto que na outra haviam rabanetes. Para um grupo de participantes, era falado que deveriam comer apenas os biscoitos e não poderiam comer os rabanetes. Para o outro grupo, era falado o contrário, que apenas podiam comer os rabanetes e deixar de lado os biscoitos.

O objetivo do estudo era demostrar que os participantes que faziam parte do segundo grupo (aqueles que deveriam comer o rabanete e resistir aos biscoitos) teriam menor força de vontade no desenvolvimento de tarefas subsequentes.

Após comerem o que lhes foi designado, os participantes eram conduzidos para outra sala, onde deveria resolver um teste. O teste não deveria demorar mais que alguns minutos, ou isso era o que os participantes pensavam, pois, o teste não possuía solução.

Esse estudo mostrou que aqueles participantes que comeram os biscoitos e deixaram os rabanetes de lado passavam muito mais tempo tentando resolver o problema, quando comparados ao segundo grupo, o qual parecia não ter vontade de continuar buscando a solução.

 

O que concluímos de tudo isso?

A conclusão de ambas as pesquisas é que força de vontade é um recurso limitado, o qual funciona como um músculo que pode entrar em fatiga quando muito utilizado. Ao longo de múltiplas decisões que precisamos tomar ao longo do dia, nossa capacidade de resistir a tentações se exaure e acabamos tomando decisões piores do que teríamos tomado no início do dia.

Outros estudos ainda foram conduzidos com o mesmo propósito, mostrando, por exemplo, como esse mesmo princípio afeta as decisões que juízes tomam ao longo do dia, assim como existe a tendência de trapacearmos mais quando estamos com nossas forças esgotadas.

Quer saber mais? Então leia   Mindset Produtivo: 7 Insights para Construção de uma Mentalidade Eficiente

 

Mas então, como “economizar” nossa força de vontade?

A resposta para essa pergunta talvez possa ser encontrada na pesquisa de Sheina Orbell e Paschal Sheeran. Os pesquisadores estudaram um grupo de pacientes idosos, os quais haviam recentemente passado por uma cirurgia no joelho. A recuperação de cirurgias no joelho é incrivelmente dolorosa, sendo que até mesmo se virar na cama, ou flexionar os músculos da perna, pode causar uma dor muito forte.

Entretanto, caso os pacientes não comecem a fazer exercício, correm o risco de desenvolver coágulos sanguíneos, ou perder a flexibilidade da junta, devido ao acúmulo de tecido cicatricial. Ainda assim, pacientes comumente se recusam a seguir as ordens médicas, pela grande dor que sentem durante o movimento.

Para testar como os pacientes poderiam otimizar sua recuperação, os pesquisadores forneceram um pequeno livro, no qual havia em cada página a seguinte frase “Minha meta para essa semana é ______________”, seguida de espaço em branco onde os pacientes poderiam detalhar melhor suas metas.

Utilizando essa estratégia o estudo mostrou que pacientes que passaram a escrever suas metas, tiveram uma recuperação quase que duas vezes mais rápida que aqueles que não escreveram suas metas. Eles notaram que aqueles pacientes que planejavam e até mesmo antecipavam a dor que sentiriam, possuíam muito mais força de vontade que aqueles que não faziam o mesmo.

 

Aplicações na vida prática:

A pesquisa de Orbell e Sheeran nos mostra que antecipar as tentações e decisões que teremos de fazer durante nosso dia são de grande utilidade quando estamos desenvolvendo novos hábitos. Isso ocorre pelo menor gasto de energia, ou força de vontade, necessário para iniciar uma tarefa uma vez que ela já foi planejada. Dessa forma:

  • Quer desenvolver um hábito, mas não sabe como? Planeje lembretes estratégicos no seu celular;
  • Quer parar de dar descontos aos seus clientes? Planeje uma resposta padrão a esse tipo de solicitação;
  • Quer começar a comer de maneira mais saudável? Planeje quais serão suas refeições no decorrer do dia, e o que comerá em cada uma delas;
  • Quer começar a escrever um livro? Agende horários em dias específicos. Eu, por exemplo, utilizo minhas segundas e terças-feiras de manhã para escrever meus posts;
  • Quer praticar mais exercício? Planeje a que horas você irá para academia, e tenha um plano B caso esteja chovendo e fique tentado a ficar em casa;
  • Quer parar de fumar? Planeje ficar longe de outros fumantes.
  • Quer reduzir as brigas em casa? Busque conversar sobre assuntos críticos durante a manhã, quando ainda possui mais força de vontade para tomar boas decisões.

Bom, as possibilidades são inúmeras aqui. Busque refletir sobre as diferentes áreas da vida onde você poderia utilizar esse princípio, sempre buscando reduzir o esforço necessário para tomar as decisões corretas.

 

Mais alguma dica?

Outros pontos importantes que devemos considerar são:

  • Como temos força de vontade limitada, é importante que comecemos nosso dia fazendo as tarefas mais importante para nós. Caso deixemos para “mais tarde”, são grandes as chances de nos enrolarmos ainda mais.
  • Pequenas escolhas, como resistir a abertura de um e-mail, ou resistir a abertura de uma mensagem no celular, já podem mudar sua perspectiva no decorrer do dia. Dessa forma, feche sua caixa de entrada sempre que não estiver respondendo a e-mails, e deixe o celular em modo silencioso quando não puder responder a mensagens.
  • Agendar nossos compromissos importantes é uma das melhores formas de agir sobre o que foi proposto.
  • Caso esteja com seu estoque de energia baixo, busque comer ou beber alguma coisa. Tirar um tempo para descansar, e fornecer os nutrientes necessários para nosso cérebro tomar boas decisões, são as melhores formas de impulsionar nossa força de vontade.

 

Daqui em diante…

Dois conceitos muito importantes foram discutidos nesse artigo:

  1. Força de vontade é um recurso limitado;

  2. Você pode economizar sua energia através de planejamentos.

Busque sempre reduzir a quantidade de escolhas que precisa fazer ao longo do dia. Na realidade, você possui muita força de vontade, apenas não na quantidade que você gostaria. Pelo menos agora você entende melhor como pode fazer para conseguir ainda mais!

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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