FoMO: Por que Você Passa Tanto Tempo nas Redes Sociais?

Quanto tempo você aguenta ficar longe do seu celular? Você faz ideia de quantas vezes por dia você checa as redes sociais?

Nos últimos anos, temos vivenciado um crescimento exponencial na forma com que as redes sociais influenciam nossas vidas. Facebook, Instagram, Snapchat, Twitter, Pinterest, etc. Todas elas nos fornecem diferentes ferramentas para nos divertirmos e conectarmos com nossos amigos, colegas e familiares.

Contudo, junto a essa onda de conexão, temos vivenciado também o crescimento de um sentimento improdutivo, que nos leva a checar as redes sociais diversas vezes por dia.

Esse sentimento possui diversas implicações, e é descrito pela sigla inglesa FoMO (Fear of Missing Out), ou em português “Medo de Ficar por Fora”.

 

O que é FoMO?

De acordo com um estudo recente, publicado pelo pesquisador Andrew K. Przybylski, podemos descrever FoMO como:

“A sensação desagradável, e que muitas vezes nos consome, de que estamos por fora – que nossos colegas estão fazendo algo que não sabemos, ou na posse de algo a mais ou melhor do que nós. ”

De acordo com a pesquisa, três quartos dos jovens adultos de hoje em dia relataram que possuem esse tipo de medo. Isso faz com que conversem menos com seus amigos quando estão em encontros sociais, dirijam enquanto mandam mensagens, e fiquem distraídos enquanto estão em sala de aula.

Além dessas implicações, FoMO também pode influenciar seriamente a sua perspectiva de longo prazo e autossatisfação com a própria vida.

De acordo com outro estudo, publicado em 2012, os jovens de hoje se dizem sobrecarregados com a quantidade de informação que precisam assimilar diariamente. Com esse sentimento, sentem-se como se nunca estivessem em dia com tudo o que precisam saber e fazer, e, portanto, se sentem insatisfeitos com suas próprias experiências, e como se possuíssem menos conhecimento do que as outras pessoas.

 

Isso é preocupante?

Realmente deveríamos nos preocupar com esse medo? Será que isso não é apenas um sintoma passageiro existente na vida moderna?

Bom, a verdade é que ainda não temos as respostas para essas perguntas. Estamos apenas no início do processo para entendermos como tudo isso funciona. Mas por enquanto, as notícias não são tão agradáveis assim: FoMo é um vício, e causa dependência.

 

O Vício das Redes Sociais

Quando estudamos algum tipo de vício, existem algumas características típicas desse tipo de comportamento.

Por exemplo, um dos comportamentos mais vinculados aos vícios é a presença de uma síndrome de abstinência. Embora isso possa variar caso a caso, é comum que pessoas viciadas em redes sociais fiquem inquietas, irritadas, ansiosas, agitadas e até mesmo deprimidas quando não podem acessar suas redes sociais.

Além disso, outro comportamento característico de um vício é a presença de sentimentos ambivalentes no que se refere ao tema do vício. Isso significa que, para pessoas viciada, existirão dias em que as redes sociais serão uma grande fonte de prazer e satisfação, mas também existirão outros dias em que as redes sociais serão uma grande fonte de frustração e tristeza.

Essa característica, onde o cérebro não consegue processar se um comportamento é bom ou ruim, pois sente prazer em alguns dias, e a dor em outros, é o que alimenta o ciclo psicológico que sustenta o vício.

 

O Ciclo do FoMO

Bom, uma vez que comecemos a enxergar FoMO como um vício, precisamos nos aprofundar um pouco mais no ciclo que alimenta todo o processo.

ciclo-fomo

Como você pode ver na ilustração acima, o ciclo do FoMO não depende apenas de uma pessoa, mas sim dos vários indivíduos que estão utilizando as redes. Ele se iniciar quando uma pessoa não está se sentindo tão bem, e por conta disso abre o Facebook, por exemplo.

Embora exista uma intensão positiva em visualizar o perfil dos seus amigos, existe também um problema com esse tipo comportamento: na realidade, a rede social faz com que você se sinta pior…

Todos nós sabemos que o Facebook não fornece uma visão robusta de como está a vida de cada pessoa. Está mais para uma visão perfeitamente selecionada do que as pessoas querem que os outros saibam de suas vidas.

Contudo, apesar de sabermos disso intuitivamente, estudos revelam que não conseguimos deixar de nos comparar com os outros.  Mesmo quando sabemos que existe uma inadequação a respeito de como está a vida real de alguém, e o que essa pessoa mostra no Facebook, ainda assim isso pode atrapalhar a nossa autoestima.

Em outras palavras, você simplesmente não consegue competir com as versões extremamente épicas das fotos que outras pessoas estão colocando no Facebook, ainda mais quando você já está já estava mal, para início de conversa.

 

Depressão e Redes Sociais

Agora, você provavelmente consegue perceber que o real problema não é simplesmente a checagem das redes sociais, mas a checagem das redes sociais em um momento que você se sente infeliz ou insatisfeito com a sua vida atual.

De acordo com o pesquisador Andrew K. Przybylski, pessoas com baixos níveis de satisfação nos quesitos competência, autonomia, e relacionamentos tendem a possuir os maiores níveis de FoMO.

Por esse e outros motivos, procurar a felicidade nas redes sociais é uma má ideia. Você não vai encontrá-la lá. Parece clichê, mas é o que as pesquisas mostram.

Se você apenas desejasse ser feliz, você conseguiria fazer isso facilmente. O problema, contudo, é que quando estamos nas redes sociais, nós queremos ser mais felizes do que as outras pessoas, e isso é sempre muito difícil!

 

Considerações Finais

Ainda estamos apenas começando a entender o impacto que as redes sociais exercerão sobre o nosso futuro. A minha esperança, com esse texto, não é te afastar das redes sociais, mas sim fazer com que você reflita sobre seus próprios hábitos, e comportamentos, e comece a mudá-los antes que eles fujam do seu controle.

De acordo com Paul Dolan, escritor do livro “Felicidade Construída”, a sua felicidade é determinada pela maneira com que você aloca sua atenção.

Portanto, se FoMO já é um problema para você hoje, pois lhe força a passar mais tempo do que gostaria nas redes sociais, a minha recomendação é para que volte a focar naquilo que você controla na sua vida. Conforme eu coloquei no artigo “Motivação: Quais são os fatores psicológicos que guiam nosso comportamento”, o sentimento de controle é fundamental para nos sentirmos motivados.

Portanto, quando se sentir insatisfeito com a sua vida, estude, reflita, planeje e corra atrás dos seus sonhos. Isso está sob o seu controle, e isso sim impactará fortemente a sua felicidade!

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

Quer receber e-mails sobre como criar metas de sucesso?

Então se inscreva na lista

redirect=/confirmacao-audio-ebook/

Seu comentário me motiva a continuar escrevendo...