Estresse vs. Produtividade: 3 Segredos de um Especialista em Desarmamento de Bombas

Produtividade e Estresse

Em fevereiro de 2004, Chris Hunter sentia-se como se estivesse em um outro mundo. Os sons externos pareciam silenciados, sendo que os únicos sons que conseguia ouvir eram relacionados a sua respiração e ao seu batimento cardíaco.

A longa caminhada entre ele e o seu alvo parecia demorar séculos. Ele carregava 40 kg de equipamentos, e o seu traje antibombas pesava mais uns 35 kg. Gotas de suor pingavam em seus olhos, e condensavam no seu visor, dificultando ainda mais a sua visão.

Ele se encontrava na Colômbia, e poderia ser facilmente o alvo de um atirador de elite durante o trajeto. Como se isso não fosse suficiente, caso a bomba explodisse, ela se fragmentaria em centenas de estilhaços de mental fundido. Todas as janelas em um alcance de 200 metros implodiriam, e fragmentos de vidro poderiam cortar os braços e pernas das vítimas. Então, o que sobrasse de seus corpos certamente seria destruído pela bola de fogo Napalm que se seguiria.

Enquanto caminhava, Hunter procurava não pensar nisso, e focava em seu treinamento: “Existem 3 opções. Existem as bombas temporizadas, que podem explodir a qualquer momento. Existem as bombas disparadas por dispositivos, e as bombas disparadas pela vítima…”. Qual delas seria dessa vez?

Ao chegar até seu alvo, uma van abandonada, ele então quebra o vidro do motorista e coloca a sua cabeça para dentro, afim de verificar o tipo da bomba. Essa é uma bomba temporizada, sendo seu objetivo primário desligar a bateria do dispositivo. Contudo, logo que começa o procedimento, Hunter percebe mais uma coisa. Havia uma linha conectando a porta do veículo a outro dispositivo. São duas bombas, sendo que a segunda delas seria prontamente disparada ao abrir a porta.

Hunter então limpa o suor em sua testa novamente. Ele precisará neutralizar ambas as bombas simultaneamente.

 

Situações de Estresse

Quando pensamos sobre situações estressantes, comumente não são as situações de vida ou morte que passam pela nossa cabeça. Usualmente, são dificuldades no trabalho, ou com relacionamento, ou ainda problemas financeiros que acabam nos estressando.

Quando somos confrontados com essas situações, é comum perdemos a paciência. Ficamos perdidos, sem saber o que fazer, e ficamos ainda mais nervosos quando as outras pessoas pedem para permanecermos calmos.

Obviamente, o mesmo não pode acontecer com um especialista em desarmamento de bombas. Isso porque a vida de milhares de pessoas está em suas mãos, e o nervosismo nessa hora apenas atrapalhará o desfecho da história.

Dessa forma, especialistas em desarmamento de bombas são treinados para permanecem calmos em situações estressantes, e fazem isso utilizando diferentes técnicas.

Para nos ajudar a entender algumas dessas estratégias, Eric Barker, do blog Barking Up the Wrong Tree, entrevistou em janeiro de 2017 o líder do esquadrão antibombas da marinha americana. Esse esquadrão é responsável por desarmar torpedos embaixo da água, além de armas biológicas, químicas e até mesmo nucleares.

As três estratégias citadas são as seguintes:

 

  • Evite a “Toca do Coelho” e Faça uma Avaliação das Ameaças

Alguma coisa nova acontece, e rapidamente nossa cabeça começa a se perguntar “E se isso acontecer?”

E se eu perder o emprego? E se eu não conseguir pagar as contas? E se eu falar que foi um mal-entendido? E se ela não me amar mais? E se ele estiver me traindo? E se? E se? E se?

O líder do esquadrão antibombas se refere a isso como a “Toca do Coelho”. Se você entra, fica difícil dar a volta e encontrar a saída. Em suas palavras:

“Com qualquer dispositivo improvisado, falamos sobre a “Toca do Coelho”. Você pode entrar no buraco e se perguntar “E se eles colocaram isso? E se eles incluíram esse pedaço de circuito ou esse novo interruptor ou esse dispositivo maluco, ou seja lá o que? As oportunidades para as pessoas construírem bombas novas, engenhosas e traiçoeiras é praticamente infinita”.

O que você precisa fazer, portanto, é evitar a toca do coelho, e ao invés disso fazer uma avaliação da ameaça.

Pense sobre uma situação similar que você já viveu antes. Como você resolveu isso? O que funcionou? Talvez, você nunca tenha vivido uma situação exatamente como essa, mas tudo bem. Apenas generalize. Você provavelmente já lidou com algo parecido, ou conhece alguém que já passou por isso.

Se isso não ajudar, pense sobre o que as pessoas que você confia fariam. O que seu mentor faria nessa situação? O que seu marido, esposa, professor ou chefe faria nessa situação?

Na maior parte das vezes, nós sabemos exatamente o que precisamos fazer. Nós apenas temos medo de decepcionar as pessoas que amamos e confiamos.

 

  • Pense Positivo e Foque No Que Você Controla

Enquanto Hunter caminhava em direção ao seu alvo, ele poderia ter entrado na “Toca do Coelho”, e pensado sobre todas as complicações que teria com a explosão da bomba. Contudo, seu pensamento se manteve no seu treinamento. Em outras palavras, sua cabeça estava focada no que estava sob o seu controle.

O líder do esquadrão antibombas da marinha americana relatou ter vivido uma situação parecida. Ele conta que uma vez estava tentando desarmar uma bomba embaixo da água, e ficou preso, sem conseguir mexer suas mãos e seus pés. Então, seu pensamento imediatamente foi:

“Eu ainda estou respirando, e isso é bom. Agora, o que mais está acontecendo indo ao meu favor? ”

Se você não prestou atenção, eu vou repetir mais uma vez. Ele estava embaixo da água, com as mãos e pés presos, e próximo a um dispositivo explosivo, e ainda assim se manteve calmo e pensando sobre o que estava no seu controle. Inimaginável, não é mesmo? Conforme ele explica:

“Se você pode mexer os dedos, ou a linha que está envolvida em torno de você, ou qualquer outra situação, se você pode fazer uma pequena coisa para torná-la um pouco melhor, então faça isso. Se você pode fazer outra coisa e, em seguida outra coisa, então você pode ter uma cascata de positividade em oposição à uma espiral de negatividade”.

Dessa forma, se manter positivo, e com o foco no que você possui controle é fundamental em qualquer situação de estresse. É isso que faz com que você continue motivado para procurar uma solução, e é isso que faz com que você deixe para trás as armadilhas da sua cabeça, e comece a agir em prol do que deseja.

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  • Defina o Próximo Passo

Isso nos leva exatamente para o último ponto da nossa discussão. Para se manter calmo e produtivo em situações de estresse, precisamos definir o próximo passo a ser feito.

Nas palavras do líder do esquadrão antibombas:

“Quando você tem algo em que se concentrar, sua mente pode permanecer focada, não importa o que esteja acontecendo. Se há algum tipo de dispositivo, e você precisa fazer algo, e você está claramente em uma situação perigosa, você sabe qual é o próximo passo. Se você estivesse sentado lá e não tivesse ideia do que fazer, isso seria realmente aterrorizante. Quando você tem o próximo passo em sua mente, então é nisso que você se concentra”.

Talvez, esse possa ser um pequeno passo. A leitura de um artigo na internet, o pedido de ajuda para um colega de trabalho, um bate-papo honesto sobre como você está se sentindo. Não são raras as vezes que pequenos passos são os responsáveis por grandes resultados.

E mesmo que não sejam, mesmo que esse pequeno passo sirva apenas para te dar o embalo inicial, ele já cumpre o seu papel.

Agora, quando você pensar sobre o próximo passo, você quer pensar tecnicamente, e sistematicamente, para evitar a “Toca do Coelho”. Não fique se perguntando “E se eu fizer isso?” ou “E se eu fizer aquilo?”. Comumente, o excesso de opções fará com que você fique indeciso, e acabe no que chamamos de “Paralisia por Análise”.

Artigo Relacionado: Combatendo a Indecisão: 5 Dicas para Superar a Paralisia por Análise

Portanto, uma opção muito mais viável é fazer, revisar e iterar o processo ao longo do caminho.

 

Considerações Finais

Uma das partes que eu mais gostei na entrevista foi quando o líder do esquadrão antibombas falou que:

“Você começa a conhecer os parâmetros técnicos de qualquer trabalho que você está fazendo e então você se pergunta, “Isso é realmente uma emergência? Isso realmente é uma emergência apenas se eu não consigo encontrar uma solução. Então, qual é o meu próximo passo para tornar esta situação um pouco melhor? ”

Em outras palavras, quando você evita a “Toca do Coelho”, mantem sua cabeça focada no que está sob seu controle, e define qual o próximo passo, você não tem mais uma emergência na sua mão. Pare, respire fundo, e pense: eu não tenho mais com que me estressar!

Com esses passos, você previne que a lacuna da especulação e da preocupação ganhe espaço dentro de você, e assim você consegue fazer o seu melhor trabalho.

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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