Estratégia Disney de Criatividade: Como Sonhar, Realizar e Encontrar Falhas nos seus Projetos

Em 5 de dezembro de 1901, nascia o homem que revolucionaria completamente a indústria de animações: Walt Disney.

Disney foi um homem extremamente inovador e preocupado com detalhes. Durante sua vida, criou personagens memoráveis, que possivelmente fizeram parte da sua infância. Mickey Mouse, A Branca de Neve, Pinóquio, Dumbo e Bambi. Esses são apenas alguns dos mais de 20 personagens que ganharam vida nas mãos de Walt Disney.

Contudo, conhecendo seu sucesso atual, é difícil de imaginar que antes de ter êxito, Walt Disney chegou a falir uma de suas empresas e se enterrou em dívidas várias vezes. Nem todas as suas animações deram retorno logo após seu lançamento. Bambi, por exemplo, teve um prejuízo de 200 mil dólares.

(Para conhecer o infográfico que ilustra a vida e as criações de Walt Disney, clique aqui).

Ainda assim, a imaginação de Disney não tinha limites, sendo que uma de suas frases mais icônicas é “Se você consegue sonhar, você consegue fazer”.

Hoje a Companhia Walt Disney possui mais de 88 bilhões em ativos e emprega mais de 180 mil funcionários. Para manter a empresa funcionando, mesmo após a morte de seu fundador, a companhia continua empregando muitas das estratégias desenvolvidas por Walt, as quais acredito serem capazes de ajudar você a também expandir sua capacidade de criar e realizar novos projetos.

Então me acompanhe nesse artigo, pois hoje você aprenderá a Estratégia Disney de Criatividade!

 

A Estratégia Disney de Criatividade

Ao meu ver, a maneira mais fácil de se explicar como funciona a estratégia Disney de criatividade é citando um comentário feito por um de seus animadores:

“…haviam na verdade três diferentes Walts: o sonhador, o realista e o crítico. Você nunca sabia qual deles viria para a sua reunião. ”

Basicamente, a estratégia Disney de Criatividade se utiliza de um ciclo com três posições, que te oferece três diferentes perspectivas sobre um mesmo problema.

No artigo “Os Seis Chapéus do Pensamento: Como Organizar as Ideias da sua Equipe”, eu comentei que comumente temos diferentes tipos de pensamento e perspectivas sobre um determinado assunto, e falei da importância de darmos tempo para que cada uma dessas perspectivas se expresse. Comumente, ficamos interrompendo nossa própria linha de raciocínio com diferentes pensamentos, e em razão disso, muitas vezes não conseguimos nos organizar.

Walt Disney entendia muito bem esse conceito, e os aplicava com genialidade na figura do sonhador, do realista e do crítico.

 

  • O Sonhador

Basicamente, todo processo criativo se inicia com o sonhador. Para o ajudar a incorporar esse papel, Disney possuía uma sala colorida, com diversas pinturas e desenhos inspiracionais distribuídos nas paredes. Tudo era muito caótico e colorido na sala, e críticas não eram bem-vindas nessa sala – apenas sonhos!

O papel do sonhador é o de viajar no mundo das ideias. O sonhador possui uma visão de longo prazo, claramente direcionada ao futuro, buscando sempre por inovações. Ele possui um pensamento sem limites, sendo que para ele todas as ideias são bem-vindas. Para o sonhador, não existe certo e errado, e para ele tudo é possível.

Você provavelmente já teve seus próprios momentos de sonhador. Momentos em que conseguiu imaginar a vida que gostaria. Momentos em que não ficou preso ao que existe de real, mas conseguiu imaginar a vida dos seus sonhos.

 

  • O Realista

Mas nem tudo são sonhos, não é mesmo?! Geralmente, a diferença entre as pessoas que vivem em alta performance, e aquelas que não saem do lugar, é a capacidade de transformar sonhos em realidade. Todos nós conseguimos sonhar com um futuro melhor, mas quantos dentre nós são capazes de trazer essas ideias para o mundo real?

Basicamente, esse é o papel do realista. Transformar fantasia em realidade. Para ajudar a incorporar esse papel, Disney trabalhava em uma sala ampla, junto a todos os demais animadores, de forma que todos conseguissem ver e conversar uns com os outros. Lá, eles possuíam suas mesas de desenho, onde encontravam os equipamentos mais modernos, as ferramentas e os instrumentos necessários para transformar seus sonhos em realidade.

Diferentemente do sonhador, o realista possui uma visão de curto prazo, com o pensamento voltado para o presente. Para o realista, o interessante é saber o que pode ser feito hoje e agora para se aproximar do seu sonho de longo prazo. Em outras palavras, o realista procura pelas diferentes alternativas que permitem transformar fantasia em realidade.

 

  • O Crítico

Por último, temos o papel do crítico. Para ajudar a incorporar esse papel, Disney possuía uma pequena sala, abaixo da escada, onde ele conseguia olhar para cada um dos seus esboços e os avaliar. A sala era estreita e sempre quente, e ficou conhecida como “Sweatbox”, ou em português: sauna.

O papel do crítico é encontrar todos os erros e possíveis falhas que ocorreram durante o sonho, ou planejamento, e a execução do projeto.

Eu acho importante aqui fazer uma distinção. O papel do crítico não é criticar o sonhador e o realista, mas sim criticar o sonho e a execução. Comumente, quando participamos de reuniões, temos pessoas sonhadoras, realistas e críticas. Infelizmente, o que geralmente acontece, é que o sonhador e o crítico entram em conflito, e muitas vezes começam a se atacar pessoalmente. Existe uma grande diferença entre você falar “Essa ideia é estúpida”, ou falar “Você é estúpido por ter essa ideia”.

Parte do motivo pelo qual Disney teve tanto sucesso foi que ele não criticava a sua equipe ou a si mesmo pelas suas ideias ou criações. Ele criticava o planejamento para atingir o seu sonho.

 

Como Walt Disney utilizava as três posições?

Nas palavras de Walt Disney:

“O contador de histórias precisa ver claramente na sua própria mente como todos os pedaços de uma história serão colocados. Ele deve sentir cada expressão e cada reação. Ele deve se afastar suficientemente para longe da sua história para ter uma segunda visão sobre ela”.

Nessas três frases, Walt Disney resume a forma com que utiliza as três posições no seu processo criativo.

Sonhador: “O contador de histórias precisa ver claramente na sua própria mente como todos os pedaços de uma história serão colocados”.

Realista: “Ele deve sentir cada expressão e cada reação”.

Crítico: “Ele deve se afastar suficientemente para longe da sua história para ter uma segunda visão sobre ela”.

Perceba que na posição de crítico, Disney fala claramente sobre se afastar do processo de criação, de forma que consiga ter uma segunda visão sobre o que foi feito. Existem diversas maneiras de você se afastar da sua criação, e mais abaixo eu descrevo como eu faço isso na criação dos meus artigos.

Podemos então resumir todo o processo na ilustração abaixo.

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A Estratégia Disney de Criatividade na Criação de Artigos

Antes mesmo de conhecer a estratégia que Disney aplicava, eu já utilizava alguns dos princípios defendidos por ele. Basicamente, o meu processo de criação consiste nos seguintes passos:

 

Passo 1 – O Sonhador

Em primeiro lugar, eu gosto de ter uma visão geral de tudo o que desejo colocar em um determinado artigo. Então, por exemplo, eu realizo a minha pesquisa, e começo a organizar todo o conteúdo na forma de um mapa mental, ou através de uma lista de tópicos.

O meu objetivo aqui não é definir exatamente qual a ordem de cada conteúdo, ou se ele vai ou não fazer parte do texto. Meu intuito é muito mais definir a mensagem que eu desejo passar com o texto, e listar quais são os conteúdos que podem fazer parte dessa mensagem.

 

Passo 2 – O Realista

Uma vez que eu esteja satisfeito com os tópicos listados, eu começo o processo de estruturação do artigo. A partir desse momento, eu começo a selecionar qual a ordem dos conteúdos, e como eles estão relacionados. Nesse momento, começo a selecionar quais das minhas ideias fazem mais sentido para o artigo, e partir disso começo a escrever.

O processo de escrita tende a acontecer com certa naturalidade depois disso. Geralmente, eu começo escrevendo aquilo que parece estar mais fácil. Não sigo a ordem de tópicos que está pré-determinada. Começo pelo tópico que já está na minha cabeça, e partir disso vou progredindo tópico a tópico até finalizar o artigo. Muitas vezes, a introdução é a última parte do artigo que eu redijo.

 

Passo 3 – O Crítico

Por último, chegou a hora de editar meu texto e avaliar se vale a pena ele ser publicado como está. O processo de edição geralmente é até mesmo mais complicado que a escrita, já que aqui eu procuro me atentar a detalhes. Procuro examinar desde a ordem que o conteúdo foi estruturado, até erros de gramática e pontuação.

Importante aqui no processo é que a edição nunca é feita no mesmo dia que a escrita do artigo. Você se lembra que Walt Disney sugere que você se afaste da sua obra para que possa ter uma segunda visão do que foi criado?

Pois é, eu faço justamente isso. Eu procuro ficar ao menos 1 ou 2 dias sem olhar para o artigo, para que assim eu possa lê-lo com outros olhos, e encontrar as falhas que antes estavam despercebidas.

Obviamente, ainda passam algumas falhas. Como ser humano, eu erro e tenho noção de que meus artigos não são perfeitos. Ainda assim, não cometo o erro de me criticar. Critico apenas o meu trabalho e a cada artigo consigo melhorar a qualidade do meu trabalho.

 

Como Você Pode Utilizar a Estratégia Disney

Certo, uma vez que você tenha visto como eu utilizo a estratégia Disney, penso que você também pode encontrar maneiras de inseri-la na sua vida. De maneira geral, todos nós já possuímos o sonhador, o realista e o crítico na nossa mente, e muitas vezes já os utilizamos diariamente na nossa rotina. Por exemplo:

 

O Sonhador

Você possui metas? Eu aposto que sim! Mesmo que você não escreva quais são seus objetivos, tenho certeza de que você possui alguma noção do que deseja para o seu futuro.

Talvez essa visão ainda não esteja muito clara, e é justamente por isso que você deveria passar um tempo a mais no modo sonhador. Aqui, imagine seu futuro de longo prazo. Talvez 1, ou 5, ou 10, ou 20 anos no futuro. Com o que a sua vida se parece? Quem você quer que esteja lá com você e como estará sua qualidade de vida?

Vale a pena parar, refletir, e em seguida começar a estabelecer suas metas, de forma que a partir daqui você possua um registro escrito do que deseja para a sua vida.

Artigo Relacionado 1: Método SMART: Estabelecendo Metas Inteligentes para uma Vida de Sucesso

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O Realista

Em seguida, chegou a hora do realista. Essa é a parte difícil, não é mesmo? É nessa hora que a procrastinação rola solta.

Mas não precisa ser sempre assim. Lembre-se que o realista possui o foco no hoje e no agora. Ele pensa apenas no que pode fazer hoje para transformar seu sonho (ou preferencialmente a sua meta) em realidade.

Portanto, não passe muito tempo ansioso pelo que ainda não aconteceu. Se concentre nas suas prioridades de hoje, e dia a dia comece a alavancar seu sistema. Para isso, sugiro que comece a utilizar o “Método Ivy Lee” ou se preferir algo mais robusto, utilize o “Agile Results”.

Artigo Relacionado 1: Método Ivy Lee: Uma Rotina Diária Simples para Maximizar sua Produtividade

Artigo Relacionado 2: Agile Results: O Guia Completo para Planejar, Priorizar e Atingir Rapidamente seus Resultados Pessoais

 

O Crítico

Por último, chegou a hora de você encontrar as falhas no seu sistema. No início, todo sistema possui falhas, e isso você só perceberá com a experiência.

Independentemente de qual é a sua meta e qual é o seu plano, lembre-se que o papel do crítico não é criticar o sonhador e o realista, mas criticar o objetivo e o planejamento. Portanto, deixe suas autocríticas de lado, e comece a otimizar o seu plano de ação. Ao iterar passo a passo o seu planejamento, tenho certeza de que em algum momento você atingirá o que deseja.

Para isso, recomendo o modelo de revisões do método “Agile Results”, ou a técnica dos “5 Por ques”, utilizada junto à “Metodologia 5S”.

Artigo Relacionado 1: Agile Results: Uma Forma Simples de Obter Rapidamente os Seus Resultados

Artigo Relacionado 2: Metodologia 5S: Produtividade “Made in Japan”

 

Considerações Finais

O método Disney é um dos modelos mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticados que eu conheço para alavancar o processo criativo. Todo o processo é descrito com mais detalhes no livro “A Estratégia da Genialidade” de Robert Dilts.

No livro, Dilts oferece uma visão do método com base nos princípios de Programação Neurolinguística (PNL), e ensina outras maneiras que você pode utilizar para aplicar todo o método.

Se alguma das ideias que eu coloquei aqui fez sentido para você, utilize os botões logo abaixo para compartilhá-lo nas redes sociais. Na era da globalização, o processo criativo é uma das poucas tarefas que nenhum computador ou aplicativo consegue realizar.

Portanto, ajude seus amigos e familiares a alavancarem sua criatividade utilizando os mesmos princípios que fizeram de Walt Disney um dos homens mais inovadores da história.

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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2 Respostas para “Estratégia Disney de Criatividade: Como Sonhar, Realizar e Encontrar Falhas nos seus Projetos

  • esplêndido artigo, Walt Disney mesmo depois de morto continua trazendo luz para as pessoas.

    • Exatamente Henrique! A cada vez que leio algo novo de Walt Disney eu fico assustudo com a sua genialidade criativa.
      Assim, mesmo depois de morto, ele ainda nos ensina muito sobre os nossos desafios atuais.

      Abraço,
      Leonardo