Concentração: O Guia Simples para Intensificar a sua Performance Mental

Concentração

Quando você não checa seu e-mail ou seu celular por um tempo, você se encontra lutando contra um incrível impulso de largar seja lá o que você está fazendo para dar apenas uma olhadinha?

E se você cede a essa tentação, você se sente de alguma forma insatisfeito se não existem novas mensagens esperando por você?

Infelizmente, vivemos hoje em tempos de distração. Continuamente, estamos sendo expostos a uma quantidade gigantesca de estímulos e novas informações, todas competindo por nossa atenção.

O resultado? Temos uma dificuldade imensa de permanecermos concentrados em tarefas que precisam de tempo para serem concluídas, tais como aquelas relacionadas aos estudos, ou a planejamentos de longo prazo.

O problema está tão grande que um número cada vez maior de pessoas está fingindo ter déficit de atenção para conseguir prescrição de estimulantes. Ou seja, tomar remédios e aumentar a atenção através de drogas sintéticas. Da mesma forma, o vício nas redes sociais, e na internet como um todo, vem sendo visto em países asiáticos como um problema de saúde pública.

Justamente por isso, estaremos discutindo hoje como nossa atenção funciona, e por que está tão difícil manter a concentração no mundo atual.

Discutiremos ainda como isso se relaciona ao chamado Estado de Fluxo, e aprenderemos o que podemos fazer para melhorarmos nossa capacidade de concentração.

Se preferir, você pode clicar nos links abaixo para ir direto a uma seção particular do artigo que te interessa, ou pode simplesmente continuar a leitura para ver o artigo completo.

I. Introdução

Foco e Concentração – Qual a Diferença?

Bom, antes mesmo de começarmos a discutir como nossa concentração funciona, eu acho importante diferenciarmos aqui dois termos que muitas vezes são utilizados indistintamente, como se tivessem o mesmo significado, mesmo que não possuam. Dessa forma, vamos começar falando da diferença entre foco e concentração.

Por acaso você sabia que o cérebro humano trabalha utilizando apenas um terço da energia gasta por uma lâmpada de geladeira? Pois é, os recursos energéticos disponíveis ao cérebro são muito escassos. Isso significa que mesmo sendo um dos órgãos que mais consome energia no nosso corpo, o cérebro não possui energia suficiente para processar e armazenar todas as informações que acontecem a nossa volta.

Para entender melhor como isso funciona, pense em uma mágica que você já assistiu. O mágico conseguiu te surpreender? Você conseguiu descobrir como ele fez a mágica?

Basicamente, para que uma mágica ocorra, seu cérebro necessariamente precisa estar prestando atenção em algumas ações, enquanto deixa passar despercebida algumas outras, e isso é justamente o que chamamos de “foco”.

Em outras palavras, foco é a tendência natural e inata que nosso cérebro possui de dar atenção para algumas coisas, em detrimento de outras. Enquanto você foca no que o mágico está dizendo, a assistente sai pelo alçapão. Enquanto você tenta resolver esse mistério, ela já aparece no fundo do palco.

Certo, mas se isso é foco, então o que é concentração?

Concentração é a habilidade de manter intensivamente o seu foco em apenas uma tarefa por longos períodos de tempo. Dessa forma, quanto mais intenso for o seu foco, e por mais tempo você se mantiver assim, então podemos dizer que maior é a sua concentração.

 

A Evolução da Concentração

Nosso cérebro é um órgão maravilhoso. Ao longo dos milhares de anos de sua evolução, ele foi sendo detalhadamente esculpido para promover sempre as maiores chances de sobrevivência.

Dessa forma, uma das capacidades mais interessantes que o cérebro possui é a de se flexibilizar de acordo com os diferentes ambientes em que podemos viver ou explorar.

Por exemplo, se na época das cavernas você estivesse explorando um novo ambiente, isso implicaria dizer que você estaria cercado por vários riscos e oportunidades, que por sua vez estariam dispersos na grande quantidade de estímulos que você estaria recebendo. Para sua sobrevivência, portanto, seu cérebro precisaria se adaptar para continuamente mudar de foco e assim tentar prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo.

Por outro lado, se você estivesse em um ambiente mais conhecido e com uma quantidade menor de novos estímulos, seu cérebro teria maior sucesso desenvolvendo a capacidade de permanecer concentrado em uma tarefa cognitivamente exigente, tal como a caça, a defesa de um território ou a construção de uma nova ferramenta.

Essa capacidade que o cérebro possui de se flexibilizar de acordo com o ambiente que estamos vivendo ou explorando é a base para entendermos como melhorar nossa concentração.

Isso porque hoje temos poder de escolha sobre a quantidade de estímulos que chega até nós diariamente.

Se escolhemos um ambiente com muitos estímulos, então nosso cérebro responde mudando seu foco rotineiramente. Se escolhemos poucos estímulos, então nosso cérebro consegue melhorar nossa capacidade de concentração.

 

Por que é tão Difícil Manter a Concentração?

Todos os dias, estamos sendo bombardeados por uma quantidade gigantesca de novos estímulos. Uma rápida olhada nas suas redes sociais hoje já te fornece uma quantidade de informações sobre a vida dos seus amigos e colegas que uma pessoa que viveu há cem ou duzentos anos atrás não teria em meses.

A quantidade de propagandas que chega até nós diariamente também excede em muito ao que teríamos há apenas alguns anos atrás. Panfletos, outdoors, propagandas na televisão e na internet, e outros meios de marketing estão cada vez mais comuns, e tentam ao máximo furtar parte da nossa atenção.

Como se isso não fosse suficiente, jogos digitais e outras tecnologias são construídos levando em conta a tendência evolutiva de sentirmos prazer ao conquistar ou aprender algo novo, levando-nos a procurar cada vez mais por novos estímulos.

Com isso, ficamos com a sensação de que não temos escolha. Acabamos acreditando que esse é o preço que precisamos pagar para viver em um mundo globalizado. Aceitamos, muitas vezes sem parar para refletir, que a abundância de informações leve ao empobrecimento da nossa atenção.

Mas não precisa ser sempre assim. Existem formas de contornarmos essas situações e treinarmos nosso cérebro para se manter concentrado com mais intensidade e mais frequência. Basta continuar a leitura e você entenderá do que eu estou falando.

 

II. Concentração e Estado de Fluxo

A História de Jamie Wheal

No final dos anos 80, Jamie Wheal estava completamente deprimido. Como grande parte dos jovens da sua idade, ele se sentia completamente perdido sobre o que deveria fazer com a sua vida.

Apenas recentemente ele havia se mudado para os Estados Unidos, e enquanto que todos os seus colegas estavam se divertindo com seus primeiros encontros, e com bailes de formatura, e pareciam estar vivendo a melhor época das suas vidas, Wheal não se sentia vivo de forma alguma.

Na sua cabeça, era como se ele estivesse jogando um jogo que os nativos entendiam claramente, mas que ele nem mesmo sabia o nome. Era como se o segredo de uma vida feliz tivesse sido revelado para todas as pessoas, e apenas ele tivesse sido deixado de fora.

Então, em setembro de 1988, um amigo o convidou para praticar uma espécie de windsurf, ou prancha à vela. A intenção era que Wheal se divertisse com o esporte, o que infelizmente não aconteceu. Ele era constantemente soprado para fora da costa, e nem mesmo conseguia ficar de pé na prancha.

Ele tentou e tentou, mas sem muito sucesso. Então, no final do dia, quando o Sol já estava se pondo, algo inesperado aconteceu. O vento levantou a sua vela, ele ficou em pé, e sua prancha começou a ir cada vez mais rápido.

Como ele conta na sua palestra no TED Talks, o alinhamento entre o vento e o pôr do Sol permitiu então que ele tivesse uma experiência maravilhosa. Naquele momento, ele perdeu a noção do tempo, e sentiu como se estivesse voando sobre ouro líquido. Uma verdadeira obra de arte da natureza.

 

Jamie Wheal e o Estado de Fluxo

Após seus 15 minutos de surf, Wheal ainda precisou nadar muito até voltar para a praia. Contudo, no momento em que em ele colocou os pés na areia, ele se sentia diferente. Ele havia encontrado o que estava procurando. Ele se sentia em casa pela primeira vez na sua vida.

Nos anos seguintes, Wheal começou a estudar mais a respeito daquela experiência. Não só isso, mas começou a fazer parte do seu propósito de vida entender e fornecer a resposta para como outras pessoas podem ter experiências similares a dele.

Foi justamente aí que o seu caminho cruzou com o pesquisador Steven Kotler. Juntos, eles começaram a estudar e a entender o que chamamos hoje de Estado de Fluxo.

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O Estado de Fluxo é um dos estados mentais de maior concentração e prazer que o cérebro humano consegue produzir. É um estado em que perdemos a noção do tempo, nos desligamos de qualquer tipo de distração, e permanecemos completamente imersos na atividade que estávamos fazendo.

Através da sua parceria, Wheal e Kotler conseguiram diagnosticar 17 gatilhos mentais que o seu cérebro utiliza para entrar em estado de fluxo. Esses são justamente os mesmos gatilhos que todos os métodos para aumentar sua concentração vão buscar utilizar.

Dessa forma, os gatilhos funcionam como princípios, que você pode utilizar para montar ou aprimorar suas próprias estratégias para aumentar a concentração.

Para aprender quais são todos os gatilhos, eu recomendo que leia o livro “Super-Humanos: Como os Atletas Radicais Redefinem os Limites do Possível”. Isso porque neste artigo, estarei discutindo apenas os 5 que eu considero mais importantes nessa discussão.

 

Os 5 Princípios-Chave para Melhorar a Concentração

Princípio #1 – Metas Claras e de Curto Prazo

O primeiro ponto fundamental para aumentarmos nossa concentração diz respeito a termos metas claras e de curto prazo para executarmos. Isso é, não estamos falando aqui das metas que você possui para a sua vida. Estamos falando de metas muito mais curtas, que você pode realizar nos próximos minutos ou até mesmo horas.

O motivo disso funcionar é que ao pensar em metas claras e de curto prazo, você diminui a intensidade dos pensamentos a respeito do seu passado, do seu futuro, ou a respeito de você mesmo. Esses são os três maiores “intrusos” da sua atenção, pois levam você a pensar demais, e fazer de menos.

Além disso, quando a maior parte das pessoas recebe a recomendação de estabelecer metas claras, elas tendem a focar muito mais no pronome (metas), do que no adjetivo (claras). Contudo, se o seu objetivo é melhorar sua concentração, sua ênfase precisa estar obrigatoriamente na clareza das suas metas.

Isso porque clareza nos fornece certeza, e ao estarmos certos do que precisamos fazer, fica muito mais fácil controlarmos nosso foco.

Princípio #2 – Feedback Imediato

O segundo ponto crucial para aumentarmos nossa concentração diz respeito a diminuirmos o tempo de resposta entre ação e resultado. Isso é, quanto menor é o tempo de resposta (feedback) para que você obtenha um resultado ao executar uma tarefa, mais rápido saberá o que está fazendo de errado, e como poderá melhorar.

Quando não conseguimos aprender com nossos erros em tempo real, então começamos a procurar por pistas sobre como melhorar nossa performance. Coisas que fizemos no passado, ou coisas outras pessoas fizeram, coisas que tiram nossa atenção do presente e acabam com a nossa concentração.

Um estudo conduzido com profissionais de diversas áreas (psicólogos, analistas, médicos) mostrou que todos eles pioram na sua prática ao longo do tempo. Cirurgiões, em contraste, são a única classe de médicos que melhora sua prática depois de acabar a universidade. Por que? Um erro na mesa de cirurgia e alguém morre. Isso sim é feedback imediato!

Esse também é o motivo das metodologias ágeis de Produtividade, tais como o Scrum, ou o Agile Results, focarem tanto nas revisões diárias e semanais, ao invés das revisões trimestrais ou semestrais. Quanto mais rápido a informação de um erro chega na sua mão, antes você pode pensar em alternativas para corrigir o seu curso.

Princípio #3 – Tarefas Desafiantes, mas Não Impossíveis

Em terceiro lugar, para que você consiga se concentrar, é necessário que a sua tarefa seja desafiante, mas ao mesmo tempo ela pode parecer impossível de ser feita.

Isso porque se a tarefa for muito desafiante, você provavelmente começará a se sentir preocupado, ou até mesmo ansioso. Por outro lado, se a tarefa parece muito fácil, e não utiliza muito das suas habilidades, você começará a relaxar e provavelmente acabará entediado.

Ambas essas situações impedem que você atinja altos níveis de concentração na sua tarefa.

Mas exatamente o quão desafiante uma tarefa deve ser então?

Se possível, é importante que a tarefa a sua frente seja apenas 4% maior do que seu nível de perícia ou habilidade.

Por exemplo, vamos dizer que você precisa escrever um grande relatório, mas se sente entediado ao começar a escrever. Primeiramente, uma boa dica seria você rastrear quantas palavras você consegue escrever a cada 15 minutos. Em seguida, busque nos próximos 15 minutos escrever uma quantidade de palavras apenas 4% maior. Ou seja, desafie-se a escrever um pouco mais rápido.

O aumento no nível de desafio fará com que você se sinta menos entediado, e permitirá que conclua sua tarefa mais rápido.

Princípio #4 – Senso de Controle

Como quarto princípio, temos a melhora na concentração proveniente do senso de controle sobre a tarefa que estamos fazendo. Isso é, todas as vezes que você sente que possui controle sobre a tarefa que está fazendo, seu foco automaticamente estará nas possíveis soluções que você tem para executar sua tarefa.

Por outro lado, sempre que você sente que não possui muito controle sobre o que está fazendo, seu foco passa a estar no problema, e você fica incapaz de tomar uma decisão.

Isso fica claro particularmente em algumas profissões em que não deveria existir controle algum. Por exemplo, o sentimento de controlar o incontrolável é extremamente comum em investidores de longa data, e cirurgiões de pronto atendimento.

Isso porque mesmo que um cirurgião não saiba como seu paciente responderá durante a cirurgia, acreditar que possui controle sob o procedimento é a única forma que ele possui de se concentrar e fazer seu melhor trabalho.

Princípio #5 – Elemento de Risco

Como último princípio, a existência de um elemento de risco pode ter um papel crucial nas suas chances de se concentrar em uma tarefa.

Por exemplo, alguma vez você já procrastinou a escrita de um relatório até o último momento, para então conseguir se concentrar e escrever todo ele em questão de horas?

Pois então, passar vergonha em público, ou ser rejeitado de alguma outra forma, são elementos de risco poderosos, que forçam a sua cabeça a se concentrar não importa o que aconteça.

A origem evolutiva disso acontece lá no tempo das cavernas, quando a rejeição do grupo poderia afetar fortemente a sua sobrevivência. Dessa forma, sempre que existe algum risco envolvido na tarefa que você deve executar, são maiores as suas chances de se concentrar.

 

III. Estratégias para Melhorar a Concentração

Bom, agora que você já conhece alguns dos princípios-chave para melhorar sua concentração, eu acho que seria interessante você também conhecer algumas estratégias já bem consolidadas no mundo da Produtividade Pessoal, que justamente buscam esse mesmo fim.

Dessa forma, enquanto você aprende cada uma das estratégias, peço que reflita um pouco sobre quais dos princípios citados acima fazem parte de cada metodologia.

Técnica de Pomodoro

A primeira, e talvez a mais conhecida técnica para melhorar a concentração, é a Técnica de Pomodoro, concebida na década de 80, por Francesco Cirillo.

A ideia aqui é muito simples:

  • Arme um temporizador para um período de 25 minutos, e passe esse tempo focando em uma única tarefa que você escolheu antes do tempo começar. Esses 25 minutos são chamados de um pomodoro.
  • Uma vez que o temporizador apitar, tire 5 minutos para relaxar, tome um copo de água e se mexa um pouco. Depois da pausa, você já estará pronto para seu próximo pomodoro.
  • Após 4 ciclos de pomodoro, tire 15 ou 30 minutos de descanso.

O motivo disso funcionar é que um pomodoro é tão pequeno, que é praticamente impossível você não manter a concentração durante esse tempo. Além disso, ao saber que você pode parar de trabalhar naquela apresentação chata depois de 25 minutos, você não terá motivos para procrastinar.

Dessa forma, fica até mais fácil de você se motivar e acabar finalizando mais tarefas no final do expediente.

Um pomodoro também te ajuda a gerenciar melhor seus projetos. Uma vez que você pode escolher diferentes tarefas em cada de pomodoro, é possível que você progrida em diferentes frentes ao longo do dia.

 

Meditação

Se compararmos nosso cérebro a um computador, podemos falar que existem vários programas rodando silenciosamente no subconsciente, mesmo que não consigamos perceber.

Esses são os vários pensamentos, emoções, lembranças e planos que estão lutando por um espaço dentro da sua cabeça.

Dessa forma, assim como um computador quando tenta processar várias coisas ao mesmo tempo, nosso raciocínio tende a ficar mais lento quando vários dos seus recursos são requisitados ao mesmo tempo.

Ou seja, uma mente perturbada por uma grande quantidade de pensamentos, angústias, e todo tipo de ruído interno e externo acaba perdendo a habilidade de se concentrar de maneira adequada.

É aí que entra a meditação, que visa funcionar como uma técnica chave para melhorarmos nossa concentração. Isso porque mesmo sendo uma técnica que sofre muito com o misticismo, a meditação não passa de um treinamento extremamente simples para melhorar a concentração.

Leitura Recomendada: Meditação: O Guia Científico Para Reduzir o Estresse, Aquietar a Mente, e Ainda Ficar 10% Mais Feliz

 

Meditação Produtiva

A terceira estratégia chama-se “Meditação Produtiva”, e foi retirada do livro “Deep Work” de Cal Newport. A técnica funciona da seguinte forma:

Utilize momentos que de outra forma seriam improdutivos – levar o cachorro para passear, tomar um banho, ou o deslocamento até o trabalho – para considerar um problema que precisa ser resolvido. A sua função é não deixar que sua mente divague ou mude de foco.

Para começar, pergunte a si mesmo algumas questões que identifiquem diferentes pontos dentro de um determinado problema. Então, assim que você identificar um alvo específico, pergunte a si mesmo questões vinculadas a ações, tais como “O que eu preciso para completar a minha meta?”

Pense nesse exercício como se fosse uma academia para o seu cérebro melhorar a concentração. Isso porque quanto mais tempo você conseguir permanecer concentrado na busca por uma resposta, mais você está treinando seu cérebro para repetir isso em outras tarefas.

 

O Grande Gesto

Enquanto buscava terminar seu último livro da série Harry Potter, J.K. Rowling estava abarrota com muitas distrações. A pressão por finalizar logo o último livro, acompanhada dos frequentes e-mails de fãs e da necessidade de criar sozinha sua filha adolescente estavam a enlouquecendo.

A solução?

Rowling alugou um quarto em um hotel de luxo no centro de Edimburgo, onde podia desfrutar de horas de silêncio, e se dedicar quase que exclusivamente ao livro. No início, a sua intenção não era ficar por muito tempo, mas como a escrita no primeiro dia foi muito boa, ela acabou voltando quase todos os dias, e finalizando o livro lá mesmo.

A decisão tomada por Rowling é um exemplo de uma estratégia que ao mesmo tempo é curiosa e eficaz, chamada “O Grande Gesto”. O conceito é muito simples: uma mudança radical de ambiente, acompanhada de um investimento significante de esforço ou de dinheiro para realizar uma tarefa, aumenta a importância percebida da tarefa, fazendo com seu cérebro injete no projeto uma grande parcela de motivação e energia.

Escrever um capítulo de Harry Potter, por exemplo, é uma tarefa complicada, e que requer muita energia mental. Ainda assim, quando você está pagando mais de R$1000 por dia para finalizar sua escrita, seu cérebro entende que você precisa sustentar e finalizar o seu trabalho, não importa o que aconteça.

 

Escute a Mesma Música Repetidas Vezes

Como última estratégia para aumentar a concentração, procure ouvir uma mesma música, que não contenha líricas, e em repetição.

Por exemplo, a música que eu utilizo é a “Just Jammin”, do grupo Gramatik.

O motivo disso funcionar é ao longo do tempo, quanto mais vezes você conseguir se concentrar ouvindo uma mesma canção, maiores são as chances do seu cérebro vincular a música ao estado de concentração.

Nesse caso, a música funcionará como um gatilho mental, informando seu cérebro de que naquele momento você procura se manter concentrado.

 

IV. Estratégias para Diminuir as Distrações

Da mesma forma que existem estratégias para aumentar nossa capacidade de concentração, existem também estratégias para diminuir as distrações a nossa volta, tendo também um forte impacto sobre a nossa concentração.

Logo abaixo, vamos discutir um pouco dessas estratégias:

 

Largue as Redes Sociais

Em 2013, o autor e consultor de mídias digitais Baratunde Thurston lançou um experimento. Ele decidiu se desconectar das redes sociais por 25 dias, isso é, nada de Facebook, Twitter, Instagram, e nem mesmo acessava o seu e-mail.

A verdade seja dita, ele estava precisando desse tempo. No ano anterior, Thurston havia publicado mais de 1500 vezes no seu mural do Facebook, e havia participado de mais de 59 mil conversas em e-mail. Seus amigos o descreviam como “a pessoa mais conectada no mundo”, mas conforme ele desabafa em um artigo publicado na revista Fast Company, “Eu estava esgotado. Frito. Feito. Torrado”.

Dessa forma, mesmo com as várias preocupações sobre o impacto que o experimento poderia ter em seus negócios, a “desintoxicação” se iniciou no dia 14 de dezembro de 2012.

Ele conta que na primeira semana, o ritmo dos seus dias parecia muito menos estranho do que ele achou que seria. Ele não se estressava mais por não saber o que as outras pessoas estavam fazendo, e descobriu que é muito mais fácil andar de bicicleta quando não estava simultaneamente checando seu Twitter.

Ele também podia curtir suas refeições sem ter que postá-las no Instagram, e ainda se sentia vivo, mesmo sem ter compartilhado evidências disso na Internet.

Após os 25 dias, ele ainda possuía algumas start-ups para gerenciar e alguns livros para promover. Dessa forma, ele relutantemente precisou voltar a ter uma presença online.

O experimento de Thurston resume bem um fato que todos nós sabemos: nós reconhecemos que as redes sociais fragmentam nosso tempo, e diminuem nossa capacidade de se concentrar.

Por que então não podemos experimentar, e ficar 30 dias sem entrar nas redes sociais? Se após 30 dias você ainda precisar ou quiser voltar, você sempre terá essa escolha.

 

Diminua as Interrupções

De maneira geral, todos nós perdemos um tempo precioso com pequenas distrações e interrupções que ocorrem todos os dias, seja o telefone tocando, outras pessoas batendo a sua porta, ou notificações pelo recebimento de e-mails.

Pense em quanto tempo você conseguiria recuperar se conseguisse controlar melhor as interrupções que ocorrem todos os dias.

Geralmente, grande parte dessas interrupções são causadas por outras pessoas, incluindo funcionários, fornecedores, ou outros colegas. É normal que precisamos desenvolver diferentes estratégias, que funcionem de maneira mais eficaz dependendo de quem está te interrompendo.

No artigo “Como Gerenciar Interrupções no Ambiente Empresarial”, eu detalho 16 estratégias que você pode utilizar para minimizar o número de interrupções que está sofrendo no seu dia.

Além disso, no artigo “Como Lidar com Interrupções”, eu forneço ainda mais 9 estratégias que funcionam muito bem para diferentes tipos de interrupções. Vale a pena conferir!

 

Escute Música Ambiente enquanto Trabalha

Qual a maior fonte de distração no seu ambiente de trabalho? De acordo com os dados encontrados pelo pesquisador Annu Haapakangas e colaboradores, conversas paralelas no trabalho são a causa número 1 de distrações no ambiente de trabalho, sendo apontado por 48% dos participantes como a sua maior fonte de distração.

Dessa forma, o pesquisador hipotetizou que a utilização de músicas no ambiente de trabalho poderia mascarar possíveis conversas paralelas, reduzindo assim o número de distrações, e aumentando a produtividade dos funcionários.

Assim, Haapakangas conduziu uma série de experimentos entre 2006 e 2008, e encontrou que a utilização de música ambiente foi capaz de diminuir as distrações enfrentadas por funcionários, e aumentar sua capacidade de reter informações a curto prazo.

 

Mais Alguma Dica?

Por último, eu não poderia deixar de falar que assim como qualquer outro evento biológico, os seus níveis de concentração são dependentes da qualidade da sua alimentação, do seu descanso, e da sua atividade física.

Em primeiro lugar, lembre-se que o descanso é fundamental na melhoria da sua concentração. Sempre que você passar horas trabalhando em uma tarefa cognitivamente exige, tire algum tempo para descansar. Isso é, vá caminhar em algum parque, ou converse casualmente com um amigo, escute uma música que você gosta, ou até mesmo tire um power nap.

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Todas essas tarefas ajudarão sua cabeça a se renovar, e com isso atingir melhores níveis de performance.

Em segundo lugar, uma alimentação saudável e na medida certa é fundamental para atingir bons níveis de concentração.

Isso porque comer demais cria uma carga grande de digestão que pode lhe deixar desconfortável e sonolento. Comer de maneira leve e saudável pode ajudá-lo a maximizar sua habilidade de se concentrar.

Como Thomas Jefferson disse: raramente nos arrependemos por comer pouco. É mais provável que você se surpreenda com o quão pouco precisamos comer por dia.

Por último, uma rotina de exercícios físicos é também crucial para manter sua cabeça em ordem. Isso porque o exercício físico é a melhor forma de melhorar seu fluxo sanguíneo, permitindo que mais sangue e energia chegue até seu cérebro.

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V. Considerações Finais

No inverno de 1974, um jovem estudante chamado Bill Gates viu pela primeira vez o Altair, o primeiro computador pessoal fabricado no mundo.

Gates percebeu então que havia uma oportunidade para projetar softwares para essa máquina, então ele largou a faculdade, e com a ajuda de Paul Allen e Monte Davidoff utilizou suas próximas oito semanas construindo uma versão de linguagem de programação BASIC para o Altair.

Esta história é frequentemente citada como um exemplo da percepção e ousadia de Gates, mas em entrevistas recentes, revelaram um outro traço que desempenhou um papel crucial no final feliz dessa história.

Apenas com a habilidade de se concentrar intensamente é que Gates conseguiu fundar uma empresa em menos de 6 meses, que hoje vale bilhões de dólares.

Um bom foco, acompanhado com uma boa capacidade de se manter concentrado, são os pilares de uma vida próspera, seja nos negócios, ou na vida pessoal.

 

Referências

Livros:

 

Vídeos:

 

Artigos Científicos:

 

Artigos:

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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