As 5 Armadilhas Mentais que nos Atrapalham para Alcançar a Alta Performance

Armadilhas Mentais 2

Eu gosto de me imaginar como uma pessoa racional, mas eu já sei que eu não sou. Mas pelo menos não sou só eu, todos nós somos irracionais.

Por muito tempo, cientistas e economistas acreditaram e tentaram provar que nós, seres humanos, na maior parte das vezes tomamos decisões lógicas, racionais e bem pensadas. Entretanto, nas últimas décadas, diferentes pesquisas descobriram uma gama de diversas armadilhas mentais, ou vieses mentais, que podem influenciar consideravelmente nossa forma de pensar, e por vezes dificultam a tomada de boas decisões.

Se você tirar um tempo para procurar mais informações sobre esses vieses, encontrará facilmente mais de uma dúzia, inclusive alguns com nomes esquisitos, como “Falácia da conjunção”, ou “Heurística de disponibilidade”.

Entretanto, meu intuito aqui não é ficar preso ao jargão científico que cada viés recebeu, mas sim te explicar de maneira simples como alguns deles podem estar influenciando a sua produtividade.

Então vamos lá?

 

1) Viés de Confirmação

O viés da confirmação se refere à nossa tendência de procurarmos ou favorecermos informações que confirmam nossas crenças, enquanto ao mesmo tempo desvalorizamos ou ignoramos informações que contradizem o que acreditamos.

Por exemplo, vamos dizer que a Pessoa “A” acredita que a melhor forma de se manter saudável é se alimentando de 3 em 3 horas, e mantendo um fluxo constante de nutrientes para dentro corpo. Dessa forma, essa mesma pessoa lê artigos que são condizentes com o que acredita, e que confirmam e apoiam a sua visão de alimentação.

Em contrapartida, a Pessoa “B” acredita que a melhor forma de se manter saudável é jejuando 16 horas diariamente, e então procura e lê diversos artigos que ensinam e apoiam a prática de jejum intermitente. Como resultado, a Pessoa “B” também continua a confirmar e apoiar cada vez mais suas crenças relacionadas a alimentação.

Onde eu quero chegar com esse exemplo é que, o fato de alterarmos a nossa visão de determinado assunto pode muitas vezes ser uma tarefa extremamente trabalhosa e complicada, pois não gostamos de discutir ou consumir conteúdo de pessoas que discordam do nosso ponto de vista. Quanto mais você acha que sabe de alguma coisa, maior é a sua tendência a filtrar e ignorar informações que ditam o contrário.

E isso pode ser aplicado nos mais diversos tópicos, incluindo Produtividade Pessoal.

Por exemplo, se você acredita que a melhor forma de você alcançar seus objetivos é através da definição clara de metas, então você tenderá a procurar e ler artigos que confirmem a sua opinião.

Em contraste, se você acredita que a melhor forma de se alcançar objetivos é através da criação de sistemas e hábitos que te permitam dia a dia progredir rumo ao que deseja, então você também encontrará facilmente artigos que concordem com você.

Não é algo natural para nós formularmos uma hipótese e então ficarmos procurando por maneiras de prová-la como falsa. Ao invés disso, nós formulamos uma hipótese, assumimos que ela seja verdadeira, e então apenas procuramos por informações que validem nossa opinião.

 

2) Efeito Backfire

De maneira muito similar ao viés da confirmação, o efeito Backfire dita que tendemos a sempre refutar evidências que vão contra nossas crenças, mesmo quando essas são evidências científicas.

Por exemplo, mesmo hoje existindo diversos artigos científicos que comprovam que o hábito de “multitarefar”, ou realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, destroem nossa produtividade, ainda existem pessoas que refutam essa ideia, e se dizem mais produtivas alternando entre diversos projetos e tarefas no decorrer do dia.

É bem verdade que nós conseguimos realizar duas tarefas ao mesmo tempo. Você provavelmente consegue assistir televisão enquanto cozinha sua janta, ou talvez consiga responder à um e-mail enquanto escuta música.

O que é impossível na realidade é se concentrar em ambas as tarefas ao mesmo tempo. Isso nosso cérebro não consegue fazer.

Portanto, reflita constantemente sobre suas crenças. Quando existe apenas um artigo científico aludindo alguma coisa, então é possível que aquilo seja válido apenas para as condições do experimento. Entretanto, quando existem diversos artigos científicos que contrariam a sua opinião, então vale a pena reavaliar o que está acontecendo.

 

3) Maldição do Conhecimento

Em 1990, uma estudante em psicologia da Universidade de Stanford chamada Elizabeth Newton desenvolveu um experimento que ficou marcado no estudo do que hoje chamamos de “Maldição do Conhecimento”.

O estudo dividiu diversos participantes em dois grupos: “batucadores” e “ouvintes”. Para cada batucador, foi solicitado que escolhesse uma música simples, como “Parabéns para você”, e batucasse o ritmo da música em uma mesa. Os ouvintes deveriam adivinhar qual música estava sendo batucada.

Durante o experimento, mais de 120 músicas foram tocadas, sendo que em média os ouvintes conseguiram acertar apenas em 2,5% dos casos. Entretanto, antes de pedir aos ouvintes para adivinhar a música, Newton pedia aos batucadores para predizer quais as chances de os ouvintes acertarem a música corretamente. A predição dos batucadores era de 50%, sendo muito superior aos 2,5% que realmente adivinharam corretamente as músicas.

Certo, mas o que isso significa?

Todos nós, uma vez que já saibamos como fazer alguma coisa, temos dificuldade em imaginar como seria ainda não saber. Em outras palavras, se você já sabe tudo sobre empreendedorismo, por exemplo, é muito difícil para você se colocar na posição de uma pessoa que não sabe nada sobre o assunto.

Da mesma forma, se você já realiza alguma tarefa há alguns anos, e ela já faz parte da sua rotina, então é muito difícil para você se colocar na posição de um aprendiz ou estagiário que ainda está iniciando as atividades na sua empresa.

Essa dificuldade em se colocar no lugar de outra pessoa pode ser um fardo quando estamos tentando nos comunicar efetivamente, ou quando estamos tentando delegar uma tarefa.

Muitas vezes, achamos que estamos comunicando claramente o que e como uma tarefa deve ser realizada, e não percebemos que a outra pessoa não possui tantas informações prévias e experiências como nós com aquela tarefa.

Portanto, sempre que estiver delegando algo aos seus funcionários, procure verbalizar tudo o que você quer que seja feito. Não assuma que as outras pessoas sabem do que você está falando. Explique especificamente o que deseja, e esteja pronto para fazer algumas correções ao longo do caminho.

 

4) Viés de Sobrevivência

Praticamente todos os meios de comunicação online estão hoje abarrotados de artigos que se utilizam do viés da sobrevivência. Todas as vezes que você encontrar artigos como “Os cinco segredos de sucesso de Richard Branson”, ou “3 Hábitos diários das pessoas bem-sucedidas”, ou ainda “8 dicas para treinar como o Neymar Jr.”, então você pode ter certeza que o viés da sobrevivência está sendo utilizado.

O viés da sobrevivência basicamente descreve nossa tendência de focarmos muito mais nos “vencedores” que estão utilizando determinada estratégia, e tentar aprender com eles, do que focar nos milhares de “perdedores” que mesmo utilizando a mesma tática estão falhando.

Provavelmente existem milhares de atletas mirins que treinam de maneira muito similar ao que o Neymar treinava há alguns anos, mas que nunca vão chegar a jogar em grandes equipes. O problema é que ninguém vai escutar uma palavra desses milhares de atletas que falharam. Nós só escutamos falar das pessoas que chegaram ao topo, e supervalorizamos suas estratégias, táticas e conselhos, como se esses fossem funcionar para todos nós.

Se você quer outro exemplo, provavelmente já ouviu falar em algum momento que Richard Branson, Bill Gates, e Mark Zuckerberg largaram a faculdade e se tornaram bilionários. Você não precisa estudar para ter sucesso, os empreendedores apenas precisam parar de desperdiçar seu tempo em aulas e partir para a ação.

O que nos esquecemos é que provavelmente Bill Gates se tornou bem-sucedido apesar de largado a escola, e não por conta disso. Para cada Branson, Gates e Zuckerberg, existem milhares de outros empreendedores que largam a faculdade, mas falham ao executar seus projetos e hoje estão com um grande débito a ser pago no banco.

Portanto, se você realmente deseja atingir alta performance, permaneça consciente de que não é porque uma ou duas pessoas obtêm bons resultados com determinada técnica, que você também terá. Existem diversas outras variáveis que afetarão seu sucesso, e você precisa permanecer atento a isso.

 

5) Viés do Ponto Cego

Nesse ponto, você consegue visualizar como todos os vieses influenciam seus amigos, colegas e familiares? Consegue também perceber que você está sendo tão influenciado quanto as outras pessoas?

“Não tanto quanto as outras pessoas”, você pode responder. Mas será que não?

Em 2014, pesquisadores das Universidades de Londres, Boston, Carnegie Mellon e Colorado se juntaram para realizar alguns experimentos cognitivos, e concluíram que praticamente todas as pessoas, incluindo eu e você, acreditam que estão menos propensas a cair nas armadilhas mentais colocadas aqui no artigo, do que a médias das pessoas.

Por exemplo, quando médicos recebem amostras farmacêuticas gratuitamente, eles podem até falar que esses presentes não afetam suas decisões a respeito de qual remédio recomendarão aos seus pacientes.

Entretanto, quando esses mesmos médicos são questionados quanto a possibilidade de outros colegas terem suas decisões influenciadas pelas amostras, eles tendem a concordar que inconscientemente seus colegas são sim instigados pelos presentes.

De acordo com o artigo, apenas 1 em 661 adultos disse ser mais influenciado por vieses mentais que a média das pessoas.

Isso significa que a maioria esmagadora de pessoas consegue reconhecer a existência dos vieses cognitivos, e sua capacidade de influenciar a tomada de decisão das pessoas, mas apenas uma minoria consegue reconhecer que é tão afetada como as demais pelos mesmos tipos de armadilhas mentais.

 

Considerações Finais

Uma vez que reconheçamos a existência dessas armadilhas, uma primeira pergunta que pode vir à sua mente é: O que posso fazer para não cair mais nessas armadilhas? Como eu faço para ensinar meu cérebro a não pensar mais dessa forma?

Bom, essa não é exatamente uma pergunta fácil de ser respondida. O que eu posso sugerir para você é que permaneça consciente para a existência de cada uma delas, mas não tente eliminá-las da sua vida. Existem diversas circunstâncias em que esses vieses são úteis para você.

A questão não é eliminar esses processos do nosso cérebro, mas deixar de utilizá-los em ocasiões que não sejam tão proveitosas para nós!

About Leonardo Puchetti Polak

Especialista em Produtividade Pessoal, apaixonado por alta performance, tecnologia e neurociência.

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